Capítulo 46 — O Amor que me quebrou para me fazer inteira

“Nem todo amor vem pra durar. Alguns vêm para despertar a mulher que você ainda não sabia ser.”

Há histórias que não terminam, apenas se transformam.
Histórias que Deus permite não pra te punir, mas para te preparar.
E o amor que um dia me incendiou foi também o que me ensinou a apagar o fogo com as próprias mãos.

Recentemente, o passado me ligou — e eu atendi.
Ele veio me lembrar de um amor que vivi na juventude,
daqueles que chegam rasgando, que parecem destino,
que fazem o coração bater fora do compasso.

Um amor bonito, mas desordenado.
A gente se amava no mesmo ritmo em que se feria.
Se buscava e se perdia.
Falávamos com paixão, mas também com raiva.
E no fim, as palavras que deveriam ser abrigo se tornaram lâminas.
Machucamos o que havia de mais puro em nós — o amor que queríamos proteger.

Por muito tempo, eu achei que esse amor era o centro da minha história.
Mas Deus, com Sua paciência eterna, me mostrou que era apenas o início da minha transformação.
Porque às vezes Ele permite que a gente se perca em amores intensos pra, um dia, entender o valor da paz.
Permite que a gente caia em paixões barulhentas pra, mais tarde, reconhecer a voz suave do Espírito.

O que eu vivi me lapidou.
Me ensinou que intensidade sem propósito vira destruição,
e que o amor sem cura é só carência fantasiada de destino.

Eu precisei quebrar — pra Deus me refazer.
E quando Ele me refez, eu já não cabia mais nas antigas formas.
Já não queria amores que me arrancassem o chão,
mas os que me fizessem criar raízes.
Já não buscava quem me completasse,
mas quem orasse comigo.
E entendi que não há ninguém que me salve,
porque quem me salvou foi Ele.

Hoje, olho pra trás sem culpa, sem raiva, sem saudade.
Vejo duas pessoas imaturas tentando se amar sem saber o que era amor.
E percebo que o que destruiu aquela história não foi falta de sentimento,
foi falta de cura.
Porque enquanto um procurava redenção no outro,
Deus esperava que ambos o procurassem n’Ele.

E eu fui.
Fui ferida, fui tratada, fui moldada.
Fui ensinada a não revidar com o mesmo veneno,
a não chamar de amor o que me fazia esquecer de quem eu era.
E, quando finalmente deixei Deus entrar na história,
Ele me mostrou que o amor verdadeiro não é o que te prende — é o que te cura.

Hoje, não tenho mais vontade de reescrever o passado.
Ele foi o cinzel que Deus usou para lapidar a mulher que eu sou.
E se eu não tivesse sido quebrada,
eu jamais teria descoberto o brilho que havia dentro das rachaduras.

“O vaso que o oleiro fazia de barro se estragou nas suas mãos; e ele tornou a fazer dele outro vaso, conforme o que pareceu bem aos seus olhos.”
— Jeremias 18:4

Eu fui esse vaso.
E, nas mãos do Oleiro, aprendi que o amor que me quebrou,
foi o mesmo que Deus usou para me tornar inteira.

Reflexão Final ✨
Nem toda perda é castigo.
Às vezes, é só Deus te tirando de algo que você idolatrava,
para te entregar algo que vai te edificar.
E quando Ele te refaz, não é pra você voltar pro mesmo lugar,
é pra você florescer onde nunca imaginou.

“O amor é paciente, é bondoso.
Não inveja, não se vangloria, não se orgulha.
Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.”
— 1 Coríntios 13:4,7

Pamela Martins

“Cada testemunho compartilhado aqui conta um pouco de mim e muito de Deus.
Espero que aquilo que um dia me feriu, sirva de cura para quem ler, e que cada palavra escrita com dor, floresça em consolo, esperança e recomeço.”

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