Capítulo 50 — Quando obedecer parece loucura

“Mas é justamente na loucura da obediência que Deus revela o propósito.”

“Então ouvi a voz do Senhor, que dizia:
A quem enviarei, e quem há de ir por nós?
E eu disse: Eis-me aqui, envia-me a mim.” — Isaías 6:8

Nem sempre obedecer é fácil.
Existem dias em que o coração se cansa,
em que o chamado parece pesado demais,
e as perguntas começam a ecoar dentro da gente:
Será que vai valer a pena?
Será que esse é mesmo o caminho?
Será que é Deus ou é só idealismo?

Essas dúvidas sussurram em silêncio, testando a firmeza da fé.
E eu estava justamente nesses dias, cansada, confusa, com o coração cheio de interrogações
quando Deus me encontrou de forma inesperada,
através da ministração do pastor Douglas, na campanha Flechas de Esperança.

Foi ali que o céu me alcançou de novo.
Falando comigo com a ternura de um Pai,
me lembrando que Ele nunca me pediu perfeição,
Ele me pediu obediência.
E que obedecer, ainda que pareça loucura, é o maior ato de amor.

A palavra da noite foi sobre “Uma Vida com Propósito” — Isaías 6:1-9
e o pastor disse algo que incendiou meu coração:
As três atitudes essenciais para viver um propósito são renúncia, aceitação do chamado e obediência.

E tudo começou a fazer sentido.
Porque não dá pra aceitar o chamado sem abandonar o pecado.
O primeiro chamado de Deus nunca é “vai”, é “abandona”.
Abandona o pecado, o orgulho, a teimosia.
Porque antes de falar da graça, precisamos viver a graça.
Antes de anunciar o amor, precisamos deixar esse amor nos transformar.

E o pecado precisa nos incomodar.
Não dá pra pecar e continuar pecando como se fosse normal.
E foi ali que eu percebi que Deus não chama quem vive acomodado,
Ele chama quem está disposto a ser moldado,
porque o chamado começa dentro, antes de ecoar pra fora.

Outra fala do pastor que me atravessou como flecha, foi:
“Deus não chama os ociosos. Ele chama os ocupados.”
E naquele instante, tudo dentro de mim se alinhou.

Deus me conhece.
Sabe que eu me entrego inteira a tudo que faço.
Sabe que eu mergulho de cabeça em cada missão,
porque sempre quis fazer o melhor.
E Ele sabia que, se me chamasse, eu entregaria tudo,
mesmo não entendendo, mesmo doendo…

Mas Ele também me ensinou que não basta fazer muito, é preciso fazer por amor.
Porque Deus não quer apenas servos
Ele quer filhos que servem com o coração.

E foi quando entendi que o chamado não é um fardo, é uma forma de amar.
Amar o propósito, amar o processo, amar o próprio Deus.

E quando o pastor mencionou que Isaías foi chamado sabendo que não veria os frutos do que plantaria.
E, mesmo assim, disse: “Eis-me aqui”, eu chorei.
Porque entendi que o propósito nem sempre é colher,
às vezes é só preparar o solo para que outros floresçam depois.
E mesmo sem ver o resultado,
Deus continua contando cada semente lançada em fidelidade.

E foi aí que tudo se conectou:
dizer sim ao chamado vai custar algo, sim.
Vai exigir renúncia,
vai fazer você perder algumas coisas,
mas vai te dar algo que o mundo nunca pode oferecer:
A alegria de viver a boa, perfeita e agradável vontade de Deus.

E é porque essa alegria existe
que sempre vale a pena abrir mão dos nossos sonhos para viver os sonhos d’Ele.
Porque Ele já abriu mão do próprio Filho para cumprir o propósito da nossa salvação.
E se Ele fez isso por nós, como não confiar quando nos pede para entregar o que amamos?

Obedecer é ser fiel.
E a fidelidade, às vezes, é silenciosa.
Não grita, não aparece, mas sustenta.
Obedecer é continuar mesmo quando parece loucura.
É seguir mesmo quando ninguém entende.
É escolher Deus, mesmo quando o coração quer outra coisa.

E é porque obedecer é ser fiel
que a obediência se torna o alicerce de todo chamado.
Porque Deus não mede sucesso em números, mede em fidelidade.

E, no fim das contas, é isso que eu quero:
Ser fiel, mesmo quando for difícil.
Mesmo quando parecer insano.
Mesmo quando o mundo não entender.

E quando as palavras do pastor cessaram,
meu coração já não conseguia ficar em silêncio.
Era como se tudo dentro de mim quisesse responder ao chamado.
Não com promessas, mas com entrega.
Então eu orei:

“Senhor, obrigada por me lembrar que a Tua voz é o meu norte,
mesmo quando o caminho é estreito.
Quando eu duvidar, fala comigo de novo.
Quando eu cansar, renova minhas forças.
Quando eu quiser recuar, lembra-me do Teu chamado.
Ensina-me a renunciar sem pesar,
a obedecer sem entender,
e a continuar mesmo quando tudo parecer loucura.
Que o meu “eis-me aqui” nunca perca o brilho.
Que a minha entrega seja inteira.
Que a minha fidelidade Te honre mais do que qualquer resultado.
Se for preciso abrir mão, que eu abra sem olhar pra trás,
confiando que os Teus sonhos são sempre maiores que os meus.”
Amém!


E quando terminei essa oração, o Espírito me lembrou que:
Obedecer é também ser transformado.
Que cada renúncia abre espaço para algo novo nascer dentro da gente.
E que a obediência não é o fim, é o início de uma mente renovada,
capaz de enxergar o propósito por trás de cada “não”,
e de encontrar paz no meio das incertezas.

“E não vos conformeis com este mundo,
mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento,
para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.”
— Romanos 12:2

Pamela Martins

“Cada testemunho compartilhado aqui conta um pouco de mim e muito de Deus.
Espero que aquilo que um dia me feriu, sirva de cura para quem ler, e que cada palavra escrita com dor, floresça em consolo, esperança e recomeço.”

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