“O Senhor deu, o Senhor tirou; bendito seja o nome do Senhor.”
— Jó 1:21
Eu sempre admirei a história de Jó. Sempre.
Desde muito antes de entender profundidades, eu já ousava em oração dizer:
“Senhor, me dá um coração como o de Jó.
Um coração que suporta, que permanece, que não te nega.
Um coração que entende que o Teu amor é suficiente, mesmo quando nada mais é.”
E essa é uma oração bonita…
mas também é uma oração perigosa.
Porque pedir um coração como o de Jó talvez signifique passar por provas que moldam como Jó foi moldado.
Só que Deus não repete histórias literalmente — Ele adapta.
Ele não precisa nos levar ao deserto de Uz para nos aperfeiçoar.
Ele usa a vida real, os detalhes de hoje, a rotina que vivemos, as fragilidades modernas para trabalhar em nós o que trabalhou nele.
E foi exatamente assim comigo.
Tudo estava bem.
Trabalho fluindo.
Emoções maduras.
Vida espiritual enraizada.
Rotina das meninas alinhada.
Eu estava focada, plantada, frutificando.
E foi justamente aí que o chão se abriu.
Primeiro um desconforto.
Depois, uma dor insistente.
E de repente, uma infecção nos rins.
Com ela, uma infecção intestinal.
E como agravante, uma anemia profunda,
daquelas que tiram o brilho dos olhos, o ânimo do corpo e a resistência da alma.
Febre, fortes dores, tontura, indisposição…
E ainda assim: trabalho, casa, filhas, compromissos, tarefas, responsabilidades…
Todos os pratinhos rodando enquanto meu corpo gritava por descanso.
E foi assim — exatamente assim — que o dia mau chegou pra mim.
Mas existe algo que eu só entendi vivendo:
É muito fácil dizer “sim, Senhor”, quando as portas estão se abrindo,
quando a promoção chega, quando a vida prospera, quando tudo parece estar em paz.
É fácil entregar a vida a Deus quando o favor é visível.
Mas a profundidade da fé não se revela no dia bom.
Se revela no dia mau.
Porque às vezes o dia mau não chega como punição.
Às vezes ele chega porque o inimigo quer conferir se o nosso “eis-me aqui” foi verdadeiro.
Se a nossa gratidão depende do cenário.
Se o nosso louvor depende do resultado.
Se o nosso amor depende da estação.
E Deus, sendo Pai bondoso, também é justo.
Assim como Ele permitiu que o inimigo tocasse em tudo de Jó,
confiando na integridade do coração daquele homem,
Ele também sabe o que o nosso coração é capaz de suportar.
E sabe quando uma provação não é destruição, mas revelação.
“Assim acontece para que a fé de vocês — muito mais valiosa do que o ouro — seja provada pelo fogo e se mostre verdadeira.”
— 1 Pedro 1:7
Vivemos num mundo onde bem e mal coexistem.
Onde pessoas se deixam ser usadas tanto pela luz quanto pelas trevas.
E enquanto houver maldade ao redor, estaremos sujeitos a ataques que não vêm de Deus
mas que Deus permite que passem por nós para fortalecer o que Ele mesmo plantou.
Porque quando Deus nos dá tudo de bom, é fácil dizer que O amamos.
Mas e quando o corpo falha?
Quando a porta fecha?
Quando a dor chega?
Quando o cansaço pesa?
Quando a oração atrasa?
Será que a minha postura ainda é a mesma?
E essa se tornou a reflexão deste capítulo:
O amor é fácil no dia bom.
A fidelidade é provada no dia mau.
E foi no meio desse vale que meu coração entendeu:
O dia mau não é punição.
É espelho.
É pergunta.
É peneira.
É fogo que refina.
É vento que revela se a raiz é profunda ou só aparência.
E mesmo com o corpo fraco, eu não questionei Deus.
Não culpei ninguém.
Não aceitei insinuações de punição.
A única pergunta que brotava dentro de mim era:
“Senhor, já que estou vivendo isso… o que Tu queres me ensinar aqui?”
E Deus, com a paciência de Pai, me lembrou que o cuidado Dele não está na ausência da dor,
mas na presença Dele dentro dela.
E quando isso desceu do intelecto para o coração, o peso não saiu do corpo…
mas saiu da alma.
Foi aí que a verdade ecoou em mim:
“Eu posso todas as coisas naquele que me fortalece.”
— Filipenses 4:13
E posso mesmo.
Posso estar doente e ainda assim cumprir meu propósito.
Posso estar cansada e ainda assim florescer.
Posso estar fragilizada e ainda assim permanecer firme.
Porque a força nunca veio de mim — sempre veio d’Ele.
Hoje, ainda me recuperando, equilibrando tudo, desejando às vezes, apenas deitar em posição fetal e chorar… eu sei:
Não estou sozinha.
Nunca estive.
Nunca estarei.
O dia mau pode chegar — e chega mesmo.
Mas Deus permanece.
E foi desse lugar de verdade, dor e dependência que minha oração nasceu:
“Senhor, obrigada porque mesmo quando o meu corpo falha, o Teu amor não falha.
Obrigada porque a Tua presença me envolve, me sustenta, me guia e me acalma.
Obrigada porque nenhuma mentira encontra espaço onde a Tua voz já fez morada.
Que eu permaneça tão perto de Ti que nenhum ataque me confunda.
Que a minha fé seja firme mesmo quando o corpo é fraco.
Que o meu coração seja grato mesmo quando a estação é dura.
E que a minha vida revele que Tu és bom — não só no dia bom, mas também no dia mau.”
“Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo: eu venci o mundo.”
— João 16:33
Lindo eu amo a passagem de Jó…jo nunca atribuiu nada ao diabo ele sempre reconheceu que era Deus permitindo ….