“Sobre o cansaço da alma, a sede que confunde e o descanso que só Deus sustenta.”
Por muito tempo, eu achei que estava cansada porque fazia demais.
Porque carregava muitas responsabilidades.
Porque sustentava muitas coisas ao mesmo tempo.
Mas a verdade é que o meu cansaço não vinha do excesso de tarefas.
Vinha do excesso de tentativas.
Tentativas de ser suficiente.
Tentativas de ser necessária.
Tentativas de ser amada do jeito certo, na intensidade certa, pela pessoa certa.
Eu não estava exausta porque faltava força.
Eu estava exausta porque estava tentando tirar sustento de lugares que não eram fonte.
Houve fases em que eu era admirada e, mesmo assim, me sentia vazia.
Era procurada e, ainda assim, me sentia sozinha.
Entregava muito e, no fim do dia, carregava a sensação de que precisava provar mais um pouco.
E eu demorei pra entender que existe um cansaço específico:
O que nasce quando a gente bebe de fontes erradas.
Fontes que até parecem boas.
Mas que não sustentam.
Porque…
“Assim como o cervo anseia por águas correntes, a minha alma anseia por Deus.”
(Salmos 42:1–2)
Então eu entendi que esse salmo nunca foi sobre fraqueza.
Sempre foi sobre sede.
E eu estava sedenta.
Sedenta por presença.
Por segurança.
Por descanso.
Mas, em vez de ir à fonte, eu cavava cisternas.
Buscava valor em pessoas.
Buscava validação em relações.
Buscava pertencimento onde precisava diminuir partes de mim para caber.
Buscava descanso em vínculos que me exigiam performance constante.
E, sem perceber, fiz exatamente o que Deus descreveu em Jeremias:
“O meu povo cometeu dois males: abandonou a mim, a fonte de água viva, e cavou cisternas rotas, que não retêm água.” (Jeremias 2:13)
Foi quando eu descobri que cisterna rota não é falta de afeto.
É afeto que não permanece.
É cuidado que não sustenta.
É presença que exige troca.
E eu só me dei conta disso quando percebi que estava sempre cansada depois de ser eu mesma.
Quando amar começou a pesar.
Quando servir começou a me esvaziar.
Quando até as coisas boas passaram a me cobrar mais do que me devolviam.
Foi ali que Deus começou a mexer em algo mais profundo:
O lugar de onde eu tirava meu valor.
Porque Ele nunca mediu valor como eu media.
Enquanto eu tentava caber, Deus me chamava pelo nome.
Enquanto eu ajustava minha forma, Ele olhava para o meu coração.
Enquanto eu me calava para não perder vínculos, Ele me chamava para descansar.
E não foi fácil admitir isso.
Porque admitir sede é admitir limite.
E eu sempre fui boa em parecer forte.
Mas, ao longo do caminho, percebi que há muitas formas “aceitáveis” de buscar valor.
Algumas buscam no amor romântico.
Outras, no casamento.
Outras, na carreira.
Outras, na maternidade.
Algumas, até no ministério.
E eu já passei por algumas dessas estações.
E nenhuma delas estava errada.
Mas nenhuma delas podia ser fonte.
Porque fonte errada cansa.
E Jesus nos lembra disso quando diz:
“Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados, e Eu vos aliviarei.”
(Mateus 11:28)
Mas aqui, Jesus não chamou os fracos.
Ele chamou os sobrecarregados.
E eu estava sobrecarregada de tentar ser suficiente.
E talvez, como eu, você não esteja carente de amor.
Talvez esteja carente de descanso interior.
“Somente em Deus, ó minha alma, espera silenciosa.” (Salmos 62:5)
E esperar em Deus não foi parar a minha vida.
Foi parar de me abandonar.
Foi então que veio o vale.
Não como punição.
Mas como correção de rota.
Veio o silêncio.
Veio o afastamento de algumas fontes.
Veio a sensação de perda que, na verdade, era realinhamento.
E no vale, Deus não me tirou a identidade.
Ele me devolveu.
“Por isso, eis que Eu a atrairei, a levarei para o deserto, e lhe falarei ao coração.”
(Oséias 2:14)
Foi no deserto que eu parei de ouvir vozes demais.
E foi ali que a fonte certa voltou a ser clara.
“Aquietai-vos e sabeis que Eu sou Deus.” (Salmos 46:10)
E hoje, eu continuo fazendo muitas coisas.
Continuo amando.
Continuo servindo.
Continuo trabalhando.
Mas não para ser suficiente.
Porque, antes de tudo o que eu faço,
Eu sou filha.
E esse texto não é sobre desistir da vida.
É sobre desistir de beber de fontes que não sustentam.
“Quem beber da água que Eu lhe der nunca mais terá sede.” (João 4:14)
E se você se reconheceu em alguma linha, saiba:
Isso não é acusação.
É convite.
Para voltar à fonte.
Para descansar.
Para lembrar quem você é quando não precisa provar nada ao mundo.
“A aprovação que importa vem de Deus, não dos homens.” (cf. Romanos 2:29)