Capítulo 83 — Discernir também é um ato de fé

Quando amar a Deus muda a forma de amar as pessoas.”

“Confie no Senhor de todo o seu coração e não se apoie em seu próprio entendimento;
Reconheça o Senhor em todos os seus caminhos e ele endireitará as suas veredas.”
(Provérbios 3:5–6)

Durante muito tempo, eu procurei respostas para o amor em listas.
Checklists emocionais, sinais, padrões, comportamentos ideais.
Eu queria garantir que, dessa vez, não doeria.
Que eu não me perderia.
Que eu não confundiria intensidade com amor, promessa com presença, discurso com caráter.

E eu já disse isso aqui e continuo dizendo:
Não existe checklist para o amor.
Existe um único pré-requisito que sustenta qualquer relação saudável:
Amar a Cristo acima de todas as coisas.
(leia o capítulo 61 para entender)

Nada mudou nisso.

Mas o tempo, a maturidade e a vida me ensinaram algo importante:
Quando Cristo ocupa o centro, Ele não nos chama à cegueira.
Ele nos chama ao discernimento.

A Bíblia nunca nos ensinou a amar sem sabedoria.
Ela nos ensinou a amar com entendimento.

“O prudente percebe o perigo e busca refúgio, mas o inexperiente segue adiante e sofre as consequências.” (Provérbios 22:3)

Porque fé não é fechar os olhos para os sinais.
Fé é aprender a enxergar com clareza — sem medo, sem carência, sem ilusão.

Hoje eu entendo que listas não criam amor.
Mas perguntas certas protegem o coração de quem decidiu amar a Deus primeiro.

E essas perguntas não são para convencer alguém a ficar.
Não são para testar ninguém.
Não são para cobrar, exigir ou moldar.

São perguntas que eu faço a mim mesma, em silêncio, na presença de Deus.
Porque o amor não começa no outro.
Começa em quem eu me torno quando estou com ele.

E são elas:

→ Eu posso ser vulnerável sem me sentir pequena?
Porque amor que diminui não é amor, é controle disfarçado de cuidado.

“O amor não maltrata, não procura seus próprios interesses.” (1 Coríntios 13:5)

→ Eu posso contar tudo sem medo de ser diminuída, manipulada ou invalidada depois?
Porque intimidade sem caráter vira arma.
E Deus não nos chama para relações onde a verdade vira risco.

→ Ele é consistente, não só intenso?
A intensidade encanta, mas é a constância que sustenta.

“Seja o seu ‘sim’, sim, e o seu ‘não’, não.” (Mateus 5:37)

→ Ele é gentil mesmo quando está frustrado, chateado ou quando eu digo não?
Porque o caráter não aparece quando tudo vai bem.
Ele se revela quando o desejo é contrariado.

→ Com ele, eu descanso ou me vigio?
Se eu preciso andar em alerta, medir palavras, conter quem sou…
Isso não é amor, é sobrevivência emocional.

“Pois Deus não nos deu espírito de covardia, mas de poder, de amor e de equilíbrio.”
(2 Timóteo 1:7)

→ Com ele, eu cresço por inspiração ou por tensão e cobrança?
Crescer por medo cansa.
Crescer por segurança floresce.

→ Ele soma ao meu propósito ou compete com ele?
Porque quem disputa o centro da minha vida disputa o lugar que pertence a Deus.

“Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça.” (Mateus 6:33)

→ Se ele fosse pai das minhas filhas, ele protegeria emocionalmente ou apenas proveria financeiramente?
Porque dinheiro compra conforto.
Mas só a presença constrói identidade.

→ Ele honraria a mãe dos filhos mesmo nos dias difíceis?
Porque honra que depende de fase não é honra, é conveniência.

“O justo leva uma vida íntegra; como são felizes os seus filhos depois dele!”
(Provérbios 20:7)

→ E, se minhas filhas me observassem nesse amor… eu ficaria orgulhosa?
Essa pergunta encerra tudo.
Porque amor que eu não teria coragem de recomendar a elas, não é amor que eu devo aceitar para mim.

Mas essas perguntas não substituem Deus.
Elas nascem depois que Deus se torna o centro.

Porque amar a Cristo acima de todas as coisas não nos transforma em mulheres ingênuas.
Nos transforma em mulheres responsáveis.

Responsáveis pelo nosso coração, pela nossa história, pelos ciclos que interrompemos e pelo legado que deixamos.

E discernir não é falta de fé.
É fruto dela.

“E isto é o que oro: que o amor de vocês aumente cada vez mais em conhecimento e em toda percepção, para discernirem o que é melhor.” (Filipenses 1:9–10)

Porque o amor que nasce em Deus não dispensa o coração
Mas também não ignora os sinais.

E hoje, se eu escolho esperar, filtrar, observar e permanecer apenas onde há paz, respeito e verdade…
Não é medo.
É maturidade.

É fé que aprendeu a andar de mãos dadas com a sabedoria.

“Peça-a, porém, com fé, sem duvidar.” (Tiago 1:6)

Pamela Martins

“Cada testemunho compartilhado aqui conta um pouco de mim e muito de Deus.
Espero que aquilo que um dia me feriu, sirva de cura para quem ler, e que cada palavra escrita com dor, floresça em consolo, esperança e recomeço.”

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