Capítulo 85 — De joelhos, eu aprendi a descansar

“Quando a oração deixou de ser pedido e se tornou permanência.”

Eu demorei a entender que oração não é um ritual
Nem um horário marcado no relógio espiritual.
Não é um discurso bem elaborado, nem uma tentativa de convencer Deus a agir.

Oração é presença.
É quando alguém decide parar de lutar sozinho e escolhe se alinhar com o céu.

Aprendi que quem se coloca de joelhos não está se diminuindo, está se reposicionando.
Porque a oração não muda Deus. Ela muda quem ora.
E quando alguém muda por dentro, o céu encontra espaço para se mover.

E foi assim que eu comecei:
Orando por tudo. Antes de tudo.
Até pelas decisões que pareciam pequenas demais para incomodar Deus.

Com o tempo, percebi que nada é pequeno quando o coração está envolvido.
O que parecia exagero virou dependência saudável.
E o que parecia fraqueza virou força silenciosa.

“Reconheça o Senhor em todos os seus caminhos e Ele endireitará as suas veredas.”
(Provérbios 3:6)

O mais engraçado, é que no início, eu achava que precisava de tempo
De um ambiente perfeito e silêncio absoluto para isso.
Depois, entendi que Deus cabe em dois minutos sinceros.

No meio do dia.
No trânsito.
Antes de uma conversa difícil.
Depois de uma notícia inesperada.
Quando a mente está acelerada demais e o coração cansado demais para carregar tudo sozinho.

Às vezes, não era uma oração longa.
Era só um sussurro:
“Senhor, eu não estou bem.”
“Pai, me ajuda a não reagir.”
“Me dá clareza para entender.”
“Cuida disso por mim.”
“Sozinha eu não consigo.”

E algo mudava.
Não porque o problema desaparecia
Mas porque o peso deixava de ser solitário.

Com o tempo, percebi algo libertador:
A vida não ficou menos turbulenta
Mas o meu interior ficou mais estável.

A oração não me garantiu dias fáceis.
Mas ela me deu paz nos dias difíceis.

Por isso hoje, eu entrego tudo a Deus.
Tudo mesmo, até o que parece banal.
E descanso sabendo que, no sim ou no não, Ele permanece comigo.
E se Ele permanece, então a resposta — qualquer que seja — é boa.

“Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas,
e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus.
E a paz de Deus, que excede todo entendimento, guardará o coração e a mente de vocês.”
(Filipenses 4:6–7)

E num determinado momento dessa caminhada, eu fiz um acordo com Deus.
Um acordo simples, mas profundamente íntimo.

Decidi não colocar mais o alarme para acordar de madrugada.
Eu pedi que se Ele quisesse aquele encontro, Ele mesmo me acordasse.

Não por barganha.
Mas por desejo mútuo.

E desde então… Ele me acorda.
Quase todos os dias.

E quando isso acontece, eu entendo algo que sempre me emociona:
Não fui eu que lembrei de Deus.
Foi Ele quem lembrou de mim.

E ali, no escuro da madrugada, sem pressa, sem performance…
Eu sei que estou onde preciso estar.
Não para pedir coisas.
Mas para simplesmente estar com Ele.

E quanto mais eu busco, mais percebo algo que me constrange:
Todo tempo ainda é pouco.
Toda entrega ainda é pequena.
Toda busca ainda é inicial.

Porque Deus não se revela para quem cumpre agenda espiritual.
Ele se revela para quem tem fome da Sua presença.

“Aproximem-se de Deus, e Ele se aproximará de vocês.” (Tiago 4:8)

Por isso hoje, eu não oro porque preciso de respostas.
Eu oro porque encontrei presença.

Em Deus, eu encontrei um amigo que não se cansa de me ouvir.
Um refúgio que não exige força.
Um lugar onde não preciso explicar, justificar ou sustentar nada.

E tudo o que eu busquei no mundo:
Direção, segurança, pertencimento, descanso, validação…
Eu finalmente encontrei n’Ele.
Não como promessa distante, mas como realidade acessível.

“Tu me farás conhecer a vereda da vida; a alegria plena da tua presença, eterno prazer à tua direita.”
(Salmos 16:11)

E hoje, quando eu me ajoelho, não é para pedir mais.
É porque eu já encontrei Tudo.

Pamela Martins

“Cada testemunho compartilhado aqui conta um pouco de mim e muito de Deus.
Espero que aquilo que um dia me feriu, sirva de cura para quem ler, e que cada palavra escrita com dor, floresça em consolo, esperança e recomeço.”

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