Capítulo 91 — Como eu deixei de ser a tola e me tornei a mulher que edifica

Por muito tempo, eu achei que o meu maior problema era amar demais.
Depois, achei que era sempre escolher errado.
Em outros momentos, achei que era o tempo, a fase, o tipo de homem, o destino.

Mas a verdade foi se revelando devagar, como Deus costuma fazer quando quer nos curar por inteiro.
Eu não precisava aprender a amar melhor.
Eu precisava parar de amar a partir do vazio.

Mas existe uma diferença silenciosa, mas decisiva, entre a mulher que ama e a mulher que tenta se completar através do amor.
A mulher tola não é aquela que não sente, é aquela que sente a partir de um lugar ferido
E tenta construir relações para tapar buracos que não nasceram ali.

Eu tentava edificar casas enquanto ainda vivia como hóspede dentro de mim.
Entrava em vínculos pedindo, mesmo sem dizer:
“me diga quem eu sou”,
“me prove que eu sou suficiente”,
“não vá embora, por favor”.

E nenhuma relação sobrevive quando precisa ocupar o lugar de Deus.
Hoje eu entendo que a raiz da minha tolice não era carência emocional.
Era orfandade espiritual.

Enquanto eu não sabia, de verdade, quem era minha fonte
Eu cobrava dos relacionamentos o que eles jamais poderiam me dar.
Eu buscava no amor humano a segurança que só o Pai oferece.
Buscava na aprovação do outro o valor que só nasce da filiação.
Buscava pertencimento onde só havia pessoas tão carentes quanto eu.

E isso cansa.
Cansa quem vive.
E cansa quem convive.

E enquanto eu não me reconhecia como filha, eu agia como órfã.
Reagia com medo.
Amava com ansiedade.
Confundia intensidade com profundidade.
E chamava de paixão o que, muitas vezes, era apenas desespero por não me sentir sozinha.

Foi preciso um encontro real com Deus, não religioso, não performático, mas real.
Para que algo começasse a se reorganizar dentro de mim.
E quando a paternidade espiritual foi restaurada, algo mudou de lugar silenciosamente.

Eu parei de mendigar afeto.
Parei de negociar limites para ser escolhida.
Parei de me esforçar para caber onde eu nunca deveria ter entrado.

E não foi porque eu deixei de desejar amar.
Foi porque eu deixei de precisar que o amor me salvasse.

Porque existe um momento na vida de uma mulher em que ela percebe:
Enquanto eu tentar ser preenchida pelo outro, eu sempre estarei vulnerável ao abandono, à rejeição e ao medo.
Mas quando eu me torno inteira em Deus — não perfeita, inteira — TUDO muda.

Eu não entro mais em relações para ser validada.
Eu não aceito migalhas emocionais travestidas de interesse.
Eu não reajo a partir da ferida, mas da consciência.

Porque a mulher que edifica não é a que nunca erra.
É a que sabe onde está firmada.

E ela não constrói para ser amada.
Ela constrói porque já sabe quem é.

E foi só quando eu fiquei completa em Deus e por Deus que as coisas começaram a se alinhar.
Não porque a vida virou um conto de fadas, mas porque minhas escolhas deixaram de nascer do vazio.

E eu finalmente entendi:
A mulher sábia edifica porque tem fundamento.
Porque sabe de onde vem.
Porque sabe a quem pertence.

E quando uma mulher cura sua orfandade espiritual, ela não muda apenas seus relacionamentos
Ela muda o tipo de casa que constrói, o ambiente que sustenta e o legado que deixa.

“Pois vocês não receberam um espírito que os torne novamente escravos do medo, mas receberam o Espírito que os torna filhos por adoção, por meio do qual clamamos: Aba, Pai.”
— Romanos 8:15


Porque a verdadeira sabedoria começa quando o coração descansa no lugar certo.
E toda mulher que descobre que é filha finalmente aprende a edificar sem medo de desabar.

Pamela Martins

“Cada testemunho compartilhado aqui conta um pouco de mim e muito de Deus.
Espero que aquilo que um dia me feriu, sirva de cura para quem ler, e que cada palavra escrita com dor, floresça em consolo, esperança e recomeço.”

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