Capítulo 95 — Não basta aceitar, é preciso se render

“Entre propostas, portas e joelhos no chão, aprendi que seguir Jesus custa, mas não segui-lo custa muito mais.”

Houve um momento em que percebi que eu não estava apenas escolhendo entre duas propostas.
Eu estava sendo confrontada sobre quem governa minhas decisões.

De um lado, o novo. Uma multinacional. Um upgrade profissional. Reconhecimento financeiro. Desafio. Crescimento.
Do outro, o conhecido. Uma empresa que me viu crescer, que conhece minhas dores, minhas virtudes, meus limites. Uma mesa onde meu nome é ouvido, onde minha história tem peso.

E no meio disso tudo… Deus.

Eu orei pedindo direção. Pedi sinais. Pedi confirmações.
Pedi que a porta só se abrisse se fosse para me levar mais perto da vontade d’Ele, nunca para longe.

E Ele respondeu. Do jeitinho que eu pedi.

Mas Deus, na Sua pedagogia perfeita, não parou na primeira resposta.
Veio então a contraproposta. E com ela, a dúvida.
Não porque Ele tivesse falado errado, mas porque meu coração ainda precisava ser refinado.

Foi ali que eu entendi: talvez o teste não fosse a proposta nova…
Talvez o teste fosse o quanto eu confiava quando tudo ficava confuso.

Voltei pro joelho. Voltei pro silêncio. Voltei pra pergunta que realmente importa:
“Senhor, eu Te consulto antes… ou só depois de decidir?”

Porque aceitar Jesus como Salvador é confortável.
Mas viver com Ele como Senhor… isso custa.

Custa abrir mão do controle. Custa admitir que nem sempre vou entender o caminho.
Custa aceitar que às vezes Deus não explica, Ele direciona.
E a resposta não vem em palavras, mas em paz.

Paz suficiente pra continuar caminhando mesmo sem mapa.
Paz suficiente para confiar que, se der errado, mas for plano d’Ele… ainda assim estará certo.

E ali, algo se resolveu dentro de mim.
Independente do caminho que eu escolhesse, se tudo desse errado, mas eu permanecesse na presença d’Ele, eu ainda estaria segura.

Porque o maior fracasso não é perder uma posição.
É perder a sensibilidade espiritual.
É ganhar o mundo e sair da vontade de Deus.

Porque Jesus nunca se impressionou com multidões.
Ele sempre buscou profundidade.

E naquele processo, Ele me perguntou — não em voz audível, mas no espírito:
“Você me quer como Salvador… ou como Senhor?”

Porque Senhor não é quem socorre depois do problema.
Senhor é quem decide antes da escolha.

E ali eu entendi: seguir Jesus é desistir de viver do meu jeito, mesmo quando o meu jeito parece bom.
É confiar que Ele vê curvas que eu não enxergo.
É aceitar que, se Ele me tirou de um lugar confortável, foi porque eu nunca sairia de lá sozinha.

E por isso, hoje, minha oração mudou.
Lembrei das palavras de Jesus, simples e diretas, que tantas vezes eu repeti sem medir o peso:
“Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas.”

Naquele momento, ficou claro que o acréscimo nunca foi a promessa principal, o Reino sempre foi.
Quando Deus ocupa o primeiro lugar, decisões deixam de ser apostas e passam a ser respostas.

Não é mais “Senhor, abençoa minha decisão”.
É “Senhor, só me deixa decidir se for Tua vontade”.

Porque no fim, não importa onde eu esteja trabalhando.
Importa quem está governando minha vida.

E se for preciso perder tudo, que eu nunca perca a presença de Deus.
Que eu nunca saia do centro da Tua vontade.
E que eu nunca confunda sucesso com propósito.

Porque eu entendi que aceitar Jesus mudou meu destino.
Mas segui-lo… isso está mudando completamente a forma como eu vivo.

“Ora, se alguém vem a mim e não me ama mais do que ama seu pai, sua mãe, sua mulher, seus filhos, seus irmãos e irmãs e até a própria vida, não pode ser meu discípulo.
E qualquer que não tomar a sua cruz e vier após mim não pode ser meu discípulo…
Assim, pois, qualquer de vós que não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo.”
— Lucas 14:25–33

Pamela Martins

“Cada testemunho compartilhado aqui conta um pouco de mim e muito de Deus.
Espero que aquilo que um dia me feriu, sirva de cura para quem ler, e que cada palavra escrita com dor, floresça em consolo, esperança e recomeço.”

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