“Quando reconhecer a própria insuficiência se torna o lugar onde Deus começa a governar.”
Há uma oração que eu faço sempre.
Não porque eu tenha perdido a fé, mas justamente porque eu a tenho.
É a oração do “não sei”.
Eu chego diante de Deus sem discurso bonito,
sem plano estratégico, sem mapa escondido atrás das costas.
E digo a verdade nua:
“Senhor, eu não sei.”
Não sei pra onde ir.
Não sei o que escolher.
Não sei como prosseguir.
Não sei ler todos os sinais.
Não sei medir todos os riscos.
Não sei diferenciar, sozinha, a Tua voz da minha ansiedade.
E não digo isso com falsa humildade.
Digo com consciência.
Porque eu aprendi, às vezes com dor, que longe de Deus, eu até caminho…
Mas quase sempre me perco.
E existe um tipo de gente que ora tentando convencer Deus.
Eu, oro confessando que sem Ele eu sou insuficiente.
Eu digo que sou pequena.
Que sou limitada.
Que sou frágil.
Que sou falha.
Que, sozinha, eu erro, mesmo querendo acertar.
E esse reconhecimento não me diminui.
Ele me posiciona.
Porque é exatamente quando o meu “eu não sei” aparece, que o governo de Deus encontra espaço para entrar.
Quando o meu mapa acaba, o caminho d’Ele começa.
Quando a minha força falha, a graça sustenta.
Quando a minha mente trava, a sabedoria d’Ele conduz.
Não é que Deus precise da minha ignorância.
Mas Ele resiste à autossuficiência e se aproxima da rendição genuína.
E Existe algo profundamente espiritual em dizer:
“Eu não confio no meu próprio entendimento.”
Não porque ele seja inútil, mas porque ele não é soberano.
E toda vez que eu me rendo assim
Não como quem terceiriza responsabilidade
Mas como quem entrega o governo,
Deus responde.
Ele fala.
Ele fecha portas.
Ele abre caminhos improváveis.
Ele confirma.
Ele repete sinais.
Ele insiste.
Porque Ele sabe quando o coração não está tentando escapar da responsabilidade, mas fugir do erro.
E há decisões que não exigem coragem.
Exigem dependência.
E é aí que eu entendo algo simples e definitivo:
Sem Deus, eu até existo.
Mas não vivo alinhada.
Por isso, quando tudo em mim pergunta:
“Pra onde eu vou agora?”
A alma responde com outra pergunta, ainda mais honesta:
“Pra onde eu iria, se só Tu tens palavras de vida eterna?”
Porque não há outro lugar seguro.
Não há outro caminho que cure.
Não há outra direção que sustente.
Eu não sei.
E talvez seja exatamente aí que Deus começa a agir sem interferência.
Porque quando eu paro de tentar conduzir, Ele governa.
Quando eu paro de explicar, Ele revela.
Quando eu paro de correr, Ele guia.
E, no fim, o que me sustenta não é saber tudo.
É saber em Quem confiar.
Eu não sei.
Mas Ele sabe.
E isso…
Me basta.
“Respondeu-lhe Simão Pedro:
‘Senhor, para quem iremos nós? Só Tu tens as palavras da vida eterna.’”
— João 6:68