Capítulo 114 — Fé que permanece… Mesmo quando tudo desmorona

Nem todo cenário difícil é derrota. Às vezes é Deus preparando um milagre que não pode ser explicado.

Eu comecei a escrever esse capítulo quando o cenário ainda dizia “não”.

Era entre o dia 20 e 25 do mês.
Os números não fechavam.
As metas não batiam.
E tudo apontava para um único cenário: não ia dar.

Eu tinha começado um novo ciclo.
Nova empresa. Novo desafio. Mais responsabilidade.
Um passo que parecia crescimento — e era.
Mas o crescimento, às vezes, vem sem aplauso.
Mas com pressão.

Processos mais lentos.
Decisões que não dependiam de mim.
Metas que mudavam. Regras que mudavam.
E um time maior… mais complexo… ainda em construção.

De repente, eu já não dominava mais o cenário.

No mês anterior, tínhamos feito quase 150%.
Agora, na penúltima semana, ainda estávamos em torno de 50%.
E em último lugar.

E isso mexeu comigo.

Eu me questionei:
Será que fui eu?
Será que confiei mais em mim do que em Deus?

Porque quando tudo está dando certo…
é fácil confundir resultado com controle.

Mas Deus, na sua sabedoria, faz algo que só quem já viveu entende:
Ele nos tira do controle, para nos lembrar de quem sustenta tudo.

E isso não é punição.
É alinhamento.

Foi nesse lugar — entre a frustração e a oração — que algo mudou em mim.

Porque quando o cenário piora, não significa que Deus saiu.
Às vezes, significa que Ele está preparando algo que só pode acontecer ali.

E então Ele me lembrou de Lázaro.

Jesus sabia.
Jesus podia ter ido antes.
Mas não foi.

Ele esperou.

E, enquanto Ele esperava, Lázaro morreu.
Foi enterrado.
E quando Jesus chegou, disseram: já não adianta… o corpo já fede.

Na lógica humana, era o fim.
Mas no Reino, era o começo.

Porque Jesus não chegou atrasado.
Ele chegou no ponto onde ninguém mais acreditava
Para que não restasse dúvida de que foi Ele.

E ali eu entendi:
Deus não trabalha para manter cenários confortáveis.
Ele trabalha para revelar a glória d’Ele.

E, às vezes, isso exige que tudo piore primeiro.

Exige que a lógica acabe.
Que as possibilidades morram.
Que a expectativa humana seja enterrada.

Para então… o milagre nascer.

E talvez o que mais me confrontou foi perceber que eu não perdi o controle…
Eu apenas nunca o tive.
E, ainda assim, fui chamada a crer.

Sem sinal.
Sem evidência.
Sem garantia.

Só crer.

Porque fé não é otimismo.
Não é pensamento positivo.
Não é “vai dar certo”.

Fé é convicção.

É olhar para um cenário impossível
e ainda assim dizer: eu sei quem prometeu.

Porque a fé não se sustenta no que eu vejo.
Ela se sustenta em quem Deus é.

E Deus não falha.

Mesmo quando demora.
Mesmo quando piora.
Mesmo quando tudo parece contrário.

Porque o silêncio de Deus nunca é ausência.
É construção.

E no meio disso tudo…
Quando eu estava cansada, pressionada…
Precisando que o time reagisse e os resultados viessem, veio outro confronto.

Amar o evangelho é simples.
Difícil é amar Judas.

Porque é fácil amar quando há troca.
Quando há respeito.
Quando há leveza.
Quando o outro responde aos seus estímulos e “joga no seu time”.

Mas e quando não há nada disso?

E quando há ruído, desgaste, desalinhamento…
E, ainda assim, Deus continua esperando de mim a mesma postura?

Porque Jesus não amou Judas depois.
Ele amou antes e durante. Sabendo o que Judas faria.

E isso me quebrou.

Porque eu percebi que eu queria viver o evangelho…
mas ainda escolhia quem merecia o meu amor.

E o evangelho não funciona assim.

Ele não se revela no ambiente favorável.
Ele se prova no contrário.

E talvez o maior milagre desse processo não tenha sido o resultado.

Tenha sido o meu coração.

Continuar firme sem endurecer.
Corrigir sem ferir.
Posicionar sem contaminar.

Isso também é milagre.

E então Deus me levou até Elias.

Um homem que orou… e não viu nada.
Orou de novo… e continuou sem ver..
Ele voltou. E insistiu. E permaneceu.

Sete vezes.

Sete vezes subindo o monte.
Sete vezes crendo sem sinal.
Sete vezes contrariando a lógica.

Até que, na sétima vez…
apareceu uma nuvem.

Pequena.
Quase invisível.
Do tamanho da mão de um homem.

Mas suficiente.

Porque não era sobre o tamanho.
Era sobre quem estava por trás.

E ali eu entendi:
o problema não é a ausência de resposta.

É a nossa pressa em parar na sexta vez.

Porque a gente ora…
mas não permanece.

A gente começa…
mas não sustenta.

A gente crê…
até não ver.

Mas Deus responde à constância.

À insistência silenciosa.
À fé que continua… mesmo sem sinal.

E hoje eu sei:
Eu não preciso ver para continuar.
Eu não preciso sentir para permanecer.
Eu não preciso de evidência para crer.

Eu só preciso lembrar quem Ele é.

Um Deus que trabalha no invisível.
Que constrói no silêncio.
Que age onde ninguém vê.

Um Deus especialista em cenários impossíveis.

E então… o mês virou.
O que parecia impossível… aconteceu.

O time bateu meta.
Ninguém zerou variável.
E fechamos em 100%.

Eu saí de 58% no dia 20…
para um fechamento completo no dia 31.

Mas não foi força.
Não foi estratégia.
Não foi controle.

Foi Deus.

Eu orei:
“Senhor, eu fui até onde meus braços alcançam.
Agora… é só o Teu milagre.”

E Ele fez.

Movimentos improváveis.
Pessoas no lugar certo.
Resultados fora da curva.

Eu pedi 70%, porque era o que a lógica humana permitia.
Mas disse: se vier 100%, eu vou saber que foi o Senhor.

E veio.

Não como prova.
Mas como resposta.

E então eu entendi:

Não era sobre o resultado.
Era sobre a fé… quando não havia sinal.

Era sobre continuar… quando tudo dizia para parar.
Era sobre crer… quando já parecia morto.

Como Lázaro.

E Deus, mais uma vez, mostrou:
Ele não chega atrasado.

Ele chega quando ninguém mais acredita.

E talvez essa seja a maior verdade:
Em uma semana… tudo pode mudar.

Assim como Cristo foi crucificado… e ressuscitou,
Deus também mudou completamente um cenário impossível na minha vida.

Porque nunca foi sobre o que eu podia fazer.
Sempre foi sobre o que Ele decide fazer.

“Então disse Elias ao seu servo: ‘Suba e olhe na direção do mar’. Ele subiu, olhou e disse: ‘Não há nada’. Elias disse: ‘Volte e olhe de novo’. E assim fez por sete vezes. Na sétima vez, o servo disse: “Eis que se levanta do mar uma pequena nuvem, do tamanho da mão de um homem. E Elias respondeu: “Suba e diga a Acabe: Prepare o seu carro e desça, antes que a chuva o impeça.” — 1 Reis 18:43-45

Porque quem vive pela fé entende:
Às vezes, o milagre começa pequeno…
mas já carrega dentro dele a chuva inteira.

Pamela Martins

“Cada testemunho compartilhado aqui conta um pouco de mim e muito de Deus.
Espero que aquilo que um dia me feriu, sirva de cura para quem ler, e que cada palavra escrita com dor, floresça em consolo, esperança e recomeço.”

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