Capítulo 121 — Folhas não substituem Frutos

Há quem viva de aparência. Há quem viva de raízes. E Deus sempre sabe a diferença.

Recentemente, durante o meu devocional, Deus me levou para uma reflexão que me atravessou de um jeito incômodo
Daqueles que não passam rápido, porque não são só uma mensagem bonita… são um espelho.

Em Apocalipse 22:2, está escrito que são as folhas da árvore que servem para a cura das nações.

E isso é lindo.
Porque folhas são necessárias.
Elas protegem.
Elas cobrem.
Elas sinalizam vida.
Elas oferecem sombra.
Elas curam.

Mas o texto também me levou para outra imagem:
A figueira de Lucas 13:6-9.

Cheia de folhas.
Bonita por fora.
Aparentemente saudável.
Mas sem fruto.

E foi impossível não pensar em nós.

Em quantas vezes nossa vida parece uma árvore cheia…
Cheia de ministérios.
Cheia de atividades.
Cheia de presença.
Cheia de agenda.
Cheia de postagens bonitas.
Cheia de versículos no feed das redes sociais.
Cheia de serviço.
Cheia de “aparência de espiritualidade”.

Mas vazia de fruto.

Porque as folhas até impressionam pessoas.
Mas são os frutos que agradam a Deus.

E, sinceramente… essa percepção me confrontou.

Porque é muito fácil ser “crente” onde todo mundo também é.

É fácil parecer espiritual na igreja.
É fácil servir no ministério.
É fácil levantar as mãos no culto.
É fácil falar bonito sobre fé.
É fácil aconselhar alguém quando estamos sob os holofotes.

Difícil é ser parecida com Cristo quando ninguém está olhando.

No trânsito, quando alguém te fecha e a sua carne quer responder em línguas… mas não exatamente as do céu.

No trabalho, quando um liderado confronta sua autoridade e o orgulho quer sentar na cadeira principal.

Em casa, quando o cansaço pesa, os filhos insistem, a paciência evapora e a vontade é pedir demissão da maternidade às 19h42 de uma terça-feira.

É ali…
Ali é que o fruto aparece.
Ou a ausência dele.

Porque fruto não é performance.
Fruto é caráter.

Fruto não é palco.
É secreto.

Fruto não é sobre quantas pessoas você alcança.
É sobre quem você é quando está sozinho com Deus.

Como está escrito em Gálatas 5:22-23, o fruto do Espírito é:

Amor.
Alegria.
Paz.
Longanimidade.
Benignidade.
Bondade.
Fidelidade.
Mansidão.
E domínio próprio.

Não é talento.
Não é carisma.
Não é eloquência.
É fruto.

E fruto não se fabrica.
Fruto se desenvolve.
Ele nasce de raiz.

Foi aí que Deus começou a me tratar.

Porque eu percebi que, muitas vezes, eu estava preocupada demais com as folhas.

Com servir.
Com entregar.
Com fazer.
Com corresponder.
Com curar os outros.

E pouco preocupada em perguntar:

“Senhor… os meus frutos Te agradam?”

Porque de nada adianta ter folhas que curam pessoas, se os frutos da minha vida não refletem o caráter de Cristo.

De nada adianta ser referência pública e fracasso privado.

De nada adianta ser forte diante de todos e frágil longe da fonte.

De nada adianta parecer uma videira saudável se, quando o céu procura fruto, encontra apenas folhas bem organizadas.

E essa parte dói.
Porque exige verdade.

Exige reconhecer nossas fraquezas.
Nossos traumas.
Nossas raízes ainda adoecidas.
A raiva mal resolvida.
O orgulho elegante.
A ansiedade disfarçada de responsabilidade.
A necessidade de aprovação vestida de zelo.
O controle chamado de maturidade espiritual.

Deus não se impressiona com folhas bonitas.
Ele trata raízes.

E raiz não se trata no palco.
Se trata no secreto.

Na oração que ninguém vê.
No devocional feito cedo, quando seria mais fácil dormir.
Na Bíblia aberta sem pressa.
Na renúncia silenciosa.
Na obediência que não rende aplauso.
Na confissão sincera.
Na vulnerabilidade diante de Deus.

É ali que as raízes se aprofundam.

E eu tenho buscado isso.

Tenho acordado mais cedo.
Tenho escolhido o silêncio.
Tenho pedido que Deus me trate onde ninguém vê.
Tenho pedido menos aparência e mais essência.
Menos folhas para impressionar.
Mais frutos para permanecer.

Porque eu não quero viver uma fé decorativa.
Não quero ser uma árvore bonita e estéril.

Quero ter folhas, sim.
Quero servir.
Quero curar.
Quero ser útil ao Reino.

Mas quero, principalmente, que quando Deus olhar para mim, Ele encontre fruto.

Fruto que nasce de uma vida rendida.
Fruto de alguém que permanece na fonte.
Fruto de quem entende que intimidade vale mais que visibilidade.

Porque no fim, não será sobre quantas pessoas disseram que fomos incríveis.

Será sobre o quanto nos parecíamos com Cristo.

E talvez o maior desafio da fé não seja fazer muito para Deus.
Seja permanecer tanto n’Ele… que o fruto venha naturalmente.

Sem esforço performático.
Sem teatro espiritual.
Sem folhas para esconder infertilidade.

Só raiz.
Só permanência.
Só verdade.

Como está escrito em João 15:5:
“Eu sou a videira; vocês são os ramos.
Se alguém permanecer em mim e eu nele, esse dará muito fruto.”


Por isso hoje, eu peço ao Senhor que não me permita me acostumar com folhas sem frutos.

Que Ele trate minhas raízes.
Que cure o que ainda está escondido.
Que arranque tudo aquilo que não vem d’Ele.

Que eu não busque apenas parecer espiritual,
mas ser verdadeiramente transformada.

Que minhas folhas sirvam ao Reino,
mas que meus frutos glorifiquem o nome de Deus.

E que, quando ninguém estiver olhando,
eu continue sendo d’Ele.

Pamela Martins

“Cada testemunho compartilhado aqui conta um pouco de mim e muito de Deus.
Espero que aquilo que um dia me feriu, sirva de cura para quem ler, e que cada palavra escrita com dor, floresça em consolo, esperança e recomeço.”

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