Capítulo 134 — Quando eu chamei de promessa o que era pressa

Eu achei que estava pronta.
Achei que estava firme.
Achei que estava curada.

E talvez eu estivesse… até a prova chegar.

Porque a maturidade que nunca é testada continua sendo teoria.
E eu descobri que ainda havia em mim uma parte que queria acreditar rápido demais.

Eu já tinha vivido o suficiente com Deus pra saber:
O que é d’Ele não vem pela metade.
Não vem pedindo ajustes.
Não vem exigindo que eu conserte o outro.
Não vem pedindo paciência pra esperar alguém virar o que ainda não é.

Aquilo que nasce de Deus vem inteiro.
Pode crescer, pode amadurecer…
Mas não começa torto.

E mesmo assim, eu quis chamar de promessa aquilo que era pressa.
Quis ver a mão de Deus onde era só a minha carência segurando o volante.

E talvez a parte mais difícil de admitir seja essa:
O meu coração me convenceu.

Ele construiu argumentos.
Ele espiritualizou emoções.
Ele chamou de discernimento o que era desejo.

Mas a Palavra já tinha avisado:

“Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente doente; quem pode compreendê-lo?
Eu, o Senhor, examino o coração e provo os pensamentos.”
— Jeremias 17:9-10

E eu achei que estava interpretando sinais divinos.
Mas, no fundo, eu estava interpretando vontades humanas.
E quando o coração quer muito, ele encontra justificativa pra tudo.

E ele quis acreditar que era Isaque…
Quando, no fundo, era Ismael.
Fruto da ansiedade de quem não quis esperar o tempo perfeito.

E eu escrevi um capítulo inteiro acreditando que era propósito.
Mas apaguei. Porque discernimento também é coragem de voltar atrás.

E no fundo, eu achei que já tinha vencido certas carências.
Achei que já estava forte o suficiente pra não confundir conexão com direção divina.
Achei que já tinha aprendido essa lição.

Mas ainda havia em mim resquícios de querer ser escolhida.
De querer ser validada.
De querer que fosse “dessa vez”.

E foi aí que eu comecei a dividir o altar.
Não abandonei Deus.
Mas já não estava tão inteira quanto antes.

O tempo que era só d’Ele passou a ser dividido.
A atenção que era só oração virou conversa.
O silêncio que era presença virou expectativa.

Eu continuei escrevendo.
Continuei ministrando.
Continuei falando sobre entrega.

Mas, no secreto, eu já não estava tão rendida quanto antes.
E isso me assustou mais do que o término.

Porque eu percebi que,
quando a gente não está firme o suficiente,
a gente começa a negociar pequenas concessões.
Flexibiliza princípios.
Adapta convicções.
Diz que “dá pra equilibrar”.

Até que o coração começa a ficar confuso.

E eu não perdi Deus.
Mas eu deixei que outra coisa ocupasse um espaço que ainda era exclusivo d’Ele.

Mas quando eu orei pedindo clareza…
Ele respondeu rápido.

Rápido demais pra ser coincidência.
Rápido o suficiente pra ser misericórdia.

Poderia ter durado muito mais tempo.
Poderia ter sido mais profundo.
Poderia ter sido mais destrutivo.

Mas não foi.
Porque mesmo quando eu erro a leitura, Deus continua soberano.

E mais uma vez, eu aprendi pela dor.
Mas dessa vez a dor veio curta.
Interrompida pela graça.

E talvez essa seja a maior prova de que Ele ainda estava cuidando de mim.

Hoje, olhando com um olhar mais maduro, eu entendo:
Não foi fracasso.
Foi ajuste de rota.

Não foi perda de propósito.
Foi lembrança de prioridade.

Eu achei que estava madura.
Mas descobri que ainda estou em processo.

E isso não me diminui.
Me posiciona.

Hoje eu sei:
Não sou eu que transformo ninguém.
Não sou eu que amadureço ninguém.
Não sou eu que preparo ninguém.

É a pessoa e Deus.
E se Deus ainda não terminou a obra em alguém, não sou eu que vou acelerar o processo.

Eu não preciso inventar promessas.
Não preciso antecipar milagres.
Não preciso interpretar sinais que Ele não confirmou.

Aquilo que vem d’Ele não rouba minha paz.
Não compete com meu altar.
Não enfraquece minha entrega.

Aquilo que vem d’Ele me aproxima mais d’Ele
Nunca me afasta.

E se há algo que essa história me ensinou é que discernimento não nasce da emoção, nasce da presença.
Não é o que parece certo que determina o caminho.
É o que Deus confirma no secreto.

Talvez eu tenha chamado de promessa aquilo que era apenas desejo.
Talvez eu tenha interpretado sinais pela minha ótica humana.
Mas hoje eu não peço mais explicações, eu peço direção.

Porque mais importante do que acertar a próxima escolha
É permanecer alinhada à vontade d’Ele.

Porque não é sobre ser perfeita.
É sobre não desistir de ser transformada.

E como oração silenciosa, eu repito:

“Ensina-me a fazer a tua vontade, pois tu és o meu Deus; que o teu bom Espírito me conduza por terreno plano.”
— Salmos 143:10

E que Ele guie meus passos.
Que Ele revele o que é d’Ele.
E que eu nunca mais confunda pressa com promessa.

Pamela Martins

“Cada testemunho compartilhado aqui conta um pouco de mim e muito de Deus.
Espero que aquilo que um dia me feriu, sirva de cura para quem ler, e que cada palavra escrita com dor, floresça em consolo, esperança e recomeço.”

Compartilhe essa postagem

Comentários que floresceram por aqui.

0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments