Capítulo 103 — Um Cristão por inteiro

“Não apenas um pedaço de fé… mas uma vida inteira rendida.”

Ser cristão na íntegra é uma das coisas mais bonitas que existe.
E também uma das mais impossíveis… quando tentamos viver com a força do nosso ego.

Porque Jesus nunca nos convidou para um domingo.
Ele nos chamou para uma caminhada contínua.

Ele não disse:
“Me siga quando for conveniente.”

Ele disse:
“Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.”
— Mateus 16:24


E aqui, nessa frase, tudo muda.
Porque ser discípulo não é um título.
É um tipo de morte.
Morte do orgulho.
Morte da necessidade de estar certo.
Morte da pressa de julgar.
Morte da fé parcial que escolhe o que obedecer e ignora o que custa.

Porque Cristo não nos chamou para sermos cristãos por partes.
Ele nos chamou por inteiro.

Mas houve um tempo em que eu achava que ser cristão era saber versículos,
Ter palavras bonitas, parecer firme…
Mas Deus, em sua infinita misericórdia
Começou a me mostrar que o Evangelho não é sobre parecer.
É sobre ser.

Porque Jesus não procurava religiosos impecáveis.
Ele procurava corações rendidos.
E foi quando eu me vi quebrada, humana e falha, que finalmente percebi:
Ser cristão de verdade não é sobre subir num pedestal…
É sobre descer com Ele ao chão.

E a palavra nos lembra que o próprio Cristo…
não veio para ser servido, mas para servir.”
— Marcos 10:45

E servir é o lugar onde o ego morre.
Só que eu aprendi isso devagar.

Aprendi quando Deus começou a arrancar de mim
a mania de medir pessoas pelo que elas entregavam
e me ensinou a enxergá-las pelo que carregavam.
Aprendi quando parei de chamar feridas alheias de “drama”
e comecei a reconhecer sobrevivências.
Aprendi quando percebi que muita gente não fere por maldade, mas por dor.
Aprendi quanto reconheci que o pecado do outro não é pior que os meus.

E amar como Cristo ama
É olhar além do comportamento e enxergar a alma.

Porque Jesus olhava assim.
Ele via o pecador, mas também via um filho.
Ele via a mulher caída, mas também via dignidade.
Ele via Pedro negando três vezes, mas também via um apóstolo sendo formado.

E ser cristão na íntegra é viver o que Ele viveu:
Mansidão,
Humildade,
Empatia,
Renúncia,
E entrega total.

Não como performance espiritual, mas como fruto.
“Aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração.”
— Mateus 11:29


Porque enquanto o mundo grita por força.
Jesus sussurra mansidão.
Enquanto o mundo idolatra poder.
Jesus se ajoelha e lava pés.
E é por isso que seguir Jesus não é um adorno, é uma revolução.

E Ele foi claro ao dizer que nos chamou para ser luz.
“Vós sois a luz do mundo.”
— Mateus 5:14

E luz não é discurso.
Luz é presença.
É ser cristão quando ninguém vê.
É ser discípulo no trânsito, em casa, no perdão, no silêncio, nos bastidores.

E é também sobre ser sal da terra…
“Vós sois o sal da terra.”
— Mateus 5:13


Mas sal não aparece.
Sal desaparece para preservar.

E isso é cristianismo real:
Não ser notado, mas ser útil.

E então vem o amor.
Não o amor sentimental.
Mas o amor crucificado.
“Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela.”
— Efésios 5:25


E o amor de Cristo tem características.
Quem ama como Jesus:
Serve sem aplauso
Perdoa sem negociar
Corrige com mansidão
Acolhe sem compactuar
Vê o outro com piedade
Não desiste fácil
Ama com verdade
Entrega sem se anular
Renuncia o ego para preservar a alma

Porque amar como Cristo, não é sentir bonito.
É escolher o bem do outro mesmo quando custa.

E eu não aprendi isso em livros.
Aprendi na vida.
Aprendi quando Deus me mostrou o quanto eu era rápida para julgar e lenta para compreender.
Aprendi quando Ele trocou minhas exigências por misericórdia.

E percebi que ser cristã inteira é ser uma mulher em processo…
Não perfeita, mas prostrada.
Porque entendi que discípulo não é quem nunca cai.
É quem se levanta após uma queda e continua seguindo.

E ser cristão na íntegra é viver com o coração inteiro no altar.
É parar de selecionar mandamentos como quem escolhe conforto.
É entender que Jesus não quer uma parte da nossa vida.
Ele quer o trono.

E no dia em que Ele ocupa o trono, a fé deixa de ser discurso e vira caminho.
“Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim.”
— Gálatas 2:20

Essa é a vida cristã integral.
Não eu aparecendo.
Mas Ele.
Não meu ego vencendo.
Mas a cruz.
Não minha vontade reinando.
Mas Cristo vivendo em mim.

E com base nisso, eu quero te perguntar, com carinho, mas com verdade:
Que tipo de cristianismo você tem vivido?
Um cristianismo de palavras ou de passos?
Um cristianismo que só aparece no culto…
Ou que permanece quando ninguém está olhando?

Porque seguir Jesus nunca foi sobre parecer bom.
Sempre foi sobre morrer para si mesmo.

E talvez hoje Deus esteja te chamando de volta
Não para uma religião mais intensa, mas para uma entrega mais inteira.

Porque talvez você tenha aprendido a falar de amor,
Mas Ele esteja te chamando para algo mais profundo…
Para amar como Cristo amou:
Com renúncia, mansidão e misericórdia.

E talvez você tenha sido luz em alguns lugares…
Mas ainda esteja guardando sombras dentro de si que precisam ser rendidas.

Por isso, a pergunta que fica não é: “Você é cristão?”
Se sim, a segunda pergunta que atravessa é: “Cristo tem você por inteiro?”

Porque o Evangelho não é uma parte da vida.
Ele é o caminho.

E como Paulo disse
“Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é lucro.
Entretanto, se eu continuar vivendo, poderei ainda fazer algum trabalho frutífero…”
— Filipenses 1:21–22


E Jesus ainda está passando…
Não procurando perfeitos, mas procurando discípulos.
Inteiros.

Pamela Martins

“Cada testemunho compartilhado aqui conta um pouco de mim e muito de Deus.
Espero que aquilo que um dia me feriu, sirva de cura para quem ler, e que cada palavra escrita com dor, floresça em consolo, esperança e recomeço.”

Compartilhe essa postagem

Comentários que floresceram por aqui.

0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments