Capítulo 109 — Perdão: A decisão que liberta antes do sentimento

Perdão não é um arrepio na alma.
Não é aquele dia iluminado em que você acorda leve e decide esquecer tudo.

Perdão é decisão.
É escolha.
É obediência.

Eu não perdoo porque sinto vontade.
Eu perdoo porque é o que Deus espera de mim.

“Suportem-se uns aos outros e perdoem as queixas que tiverem uns contra os outros.
Perdoem como o Senhor lhes perdoou.” — Colossenses 3:13

E isso não é opcional.
É mandamento.

E nos últimos dias, Deus tem falado comigo insistentemente sobre isso.

Meus devocionais têm convergido para o mesmo ponto:
Ira.
Não se irar.
Não reagir ao caos.
Não permitir que rótulos definam quem eu sou.

Salmos 37 tem ecoado como um alerta e um abraço ao mesmo tempo:

“Não fique com raiva, não fique furioso. Não se aborreça, pois isso será pior para você.” — Salmos 37:8

Porque a ira não prende o outro.
Ela me prende.
Ela adoece o meu coração.
Ela contamina minha identidade.

E Deus não nos chamou para reagir ao caos.
Ele nos chamou para governar sobre ele.

Governar não o outro.
Governar a si.

Não é sobre controlar circunstâncias,
é sobre não permitir que a ofensa controle você.

E na bíblia, vemos algumas histórias que reforçam isso…

Quando penso em Lia, vejo uma mulher rotulada.
A filha menos desejada.
A esposa não amada.

Ela tinha todos os motivos para se tornar amarga.
Mas escolheu louvar.

Quando penso em Davi, vejo o menor da casa.
O pastor ignorado.
O desacreditado pelo próprio irmão.

Ele tinha todos os motivos para se revoltar.
Mas escolheu confiar.

Se Lia tivesse se entregado à ira, talvez teria adoecido.
Se Davi tivesse abraçado o ressentimento, talvez teria perdido a promessa.

Porque a ira rouba o futuro.
Mas o perdão preserva o coração.

Quando Pedro perguntou quantas vezes deveria perdoar, Jesus respondeu:

“Não até sete, mas até setenta vezes sete.” — Mateus 18:22

Porque perdão não tem contador.
Tem cruz.

E aqui está algo que tenho carregado comigo nos últimos anos:

Com a mesma régua que eu meço, eu serei medida.
Com a mesma velocidade que eu libero perdão, eu recebo perdão.
Por isso, nas minhas orações sempre peço para que Deus me ajude a perdoar e não julgar meu próximo.

“Pois da mesma forma que julgarem, vocês serão julgados.” — Mateus 7:2

E a verdade, é que eu erro todos os dias.
E Deus ainda assim me perdoa.
E eu já fui aquela que precisava desesperadamente de misericórdia.
E recebi.
Então eu não posso viver cobrando aquilo que um dia eu implorei para receber.

Mas entenda…
Perdoar não é conviver com quem te feriu.
Não é permitir abuso.
Não é fingir que não doeu.

É entregar a dívida para Deus.

“A mim pertence a vingança; eu retribuirei, diz o Senhor.” — Romanos 12:19

O cristão não faz justiça com as próprias mãos.
Ele confia que Cristo é quem justifica.

Mas tudo isso desemboca em algo ainda maior.

No fim, não seremos medidos pelo quanto conhecíamos a Palavra.
Seremos medidos pelo quanto a vivemos.

Em Mateus 25, Jesus descreve o juízo final.
E Ele não pergunta quem sabia mais versículos.
Ele pergunta quem alimentou, quem vestiu, quem visitou, quem amou.

“Sempre que o fizeram a um destes meus pequeninos irmãos, foi a mim que o fizeram.” — Mateus 25:40

Porque o critério é amor.

E quanto mais eu me recuso a me irar,
quanto mais escolho perdoar,
mais eu me inclino ao amor.

O perdão é o solo onde o amor cresce.

Quem vive preso à ira não consegue amar plenamente.
Quem carrega ofensa não consegue servir com leveza.

Perdoar é abrir espaço para amar como Cristo.

E talvez essa seja a pergunta mais honesta desse capítulo:

Você quer estar certo ou quer parecer com Cristo?

Porque amar como Ele amou exige decisão.
Exige renúncia.
Exige governo próprio.

E no fim, quando tudo for revelado,
não será sobre quem venceu discussões.
Será sobre quem venceu o próprio coração.

E aí eu te pergunto, olhando bem dentro de você:

Quem você tem sido quando é ferido?
Um espelho do mundo?
Ou uma extensão do amor de Cristo?

Porque a promessa não é para os que reagem.
É para os que confiam.

“Acima de tudo, porém, revistam-se do amor, que é o elo perfeito.” — Colossenses 3:14

E o amor não cresce onde a ira governa.
Ele floresce onde o perdão foi plantado.

E quem escolhe amar…
Vive livre.

Pamela Martins

“Cada testemunho compartilhado aqui conta um pouco de mim e muito de Deus.
Espero que aquilo que um dia me feriu, sirva de cura para quem ler, e que cada palavra escrita com dor, floresça em consolo, esperança e recomeço.”

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