Capítulo 116 — A dor ensina, mas não é lar

Quando Deus usa a dor para formar, mas nunca para aprisionar.

Recentemente, eu li uma frase que ficou ecoando dentro de mim:
“A dor amadurece, mas ela não precisa se tornar a nossa morada.”

E aquilo me fez refletir sobre a minha própria história…
Sobre o quanto eu amadureci cedo…
E sobre tudo o que isso custou.

Por muito tempo, eu olhei pra minha caminhada e enxerguei apenas dor.
Processos difíceis, fases intensas… e uma sensação constante de que eu tinha vivido coisas além do tempo.

E, durante muito tempo, eu achei que aquilo era apenas consequência da vida.
Do tempo.
Das circunstâncias.

Mas hoje eu entendo…
Não foi o acaso que me formou.
Foi Deus.

Nada do que eu vivi passou despercebido aos olhos d’Ele.
Nenhuma lágrima foi ignorada.
Nenhuma dor foi em vão.

O que pra mim parecia excesso…
Pra Deus sempre foi ferramenta.

Porque existe uma diferença muito grande entre passar pela dor
E ser formado por Deus através dela.

A dor, por si só, pode até endurecer.
Pode fechar.
Pode transformar pessoas em versões mais frias, mais desconfiadas, mais distantes.

Mas quando Deus entra no processo…
A dor deixa de ser prisão
E passa a ser instrumento.

E foi isso que Ele fez comigo.

Ele não anulou o que eu vivi.
Ele não apagou as marcas.
Mas Ele ressignificou tudo.

Aquilo que poderia ter me tornado uma mulher amarga…
Ele transformou em maturidade.

E, pensando nisso, eu me lembrei de Noemi.

Uma mulher que perdeu o marido…
Perdeu os filhos…
Perdeu tudo o que sustentava sua história.

E, em meio à dor, ela chegou a dizer:
“Não me chamem mais Noemi… me chamem Mara (que significa amargurada).”
Porque a dor tinha mudado a forma como ela se via.

E quantas vezes isso também acontece com a gente?
A gente não muda só o que sente…
A gente muda quem acredita ser.

Mas a história de Noemi não terminou na dor.

Ela seguiu.
Mesmo ferida.
Mesmo sem entender tudo.

Ela caminhou ao lado de Rute…
Aconselhou…
Cuidou…
E mesmo em meio ao processo, continuou sendo instrumento na vida de alguém.

E foi nesse caminho que Deus começou a restaurar aquilo que parecia perdido.

Noemi, que poderia ter se tornado refém da dor…
Mas ela escolheu não morar nela.

E isso mudou tudo.

Porque existe uma diferença entre carregar marcas…
E viver aprisionada por elas.

E Deus nunca nos chamou pra morar naquilo que nos feriu.
Ele nos chama pra atravessar.

A dor pode ser parte do caminho…
Mas nunca foi o destino.

E talvez seja por isso que Ele não revela tudo de uma vez.
Porque se a gente soubesse o peso de alguns processos…
A gente desistiria antes de viver o propósito.

Então Ele nos convida a confiar.

Um passo de cada vez.
Uma entrega de cada vez.
Uma transformação de cada vez.

E, no meio desse caminho, Ele mesmo nos lembra:

“Não vos lembreis das coisas passadas, nem considereis as antigas.
Eis que faço uma coisa nova; agora sairá à luz; porventura não a percebeis?
Eis que porei um caminho no deserto e rios no ermo.”
— Isaías 43:18-19

Aqui, Deus não está dizendo pra apagar o passado…
Ele está dizendo pra não viver mais preso nele.

Porque Ele continua fazendo novo.
Mesmo em terrenos que pareciam secos.
Mesmo em histórias que pareciam encerradas.

E hoje eu entendo:
Não foi a dor que me amadureceu…
Foi Deus, usando cada detalhe dela.

Não foi o tempo que me curou…
Foi a graça que me sustentou.

Não foi a vida que me ensinou…
Foi o cuidado d’Ele me conduzindo mesmo quando eu não percebia.

E é por isso que eu posso olhar pra trás com gratidão.

Não pela dor em si…
Mas porque Deus esteve em cada parte dela.

E se Ele esteve…
Então nunca foi em vão.

A dor pode até fazer parte da sua história…
Mas ela não foi chamada pra ser o seu lugar.

Deus não te forma pra te prender no passado.
Ele te forma pra te posicionar no propósito.

E quando você entende isso…
Você deixa de olhar pra dor como ponto final
E passa a enxergar como parte do caminho que te levou até Ele.

“Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.”
— Romanos 8:28

Pamela Martins

“Cada testemunho compartilhado aqui conta um pouco de mim e muito de Deus.
Espero que aquilo que um dia me feriu, sirva de cura para quem ler, e que cada palavra escrita com dor, floresça em consolo, esperança e recomeço.”

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