Capítulo 117 — Quando a Água Viva me encontrou

A sede que nenhum amor humano conseguiu saciar.

Recentemente, eu me peguei refletindo sobre a passagem da mulher samaritana.

Uma mulher que já tinha tido muitos relacionamentos.
Muitas histórias.
Muitas tentativas.

E, por muito tempo, eu li essa história como alguém de fora.
Como se estivesse apenas observando.

Até perceber que, em muitos momentos da minha vida, eu era ela.

Eu também tive minhas tentativas.
Minhas entregas apressadas.
Meus mergulhos profundos em pessoas rasas.

Eu me jogava.
Acreditava.
Criava expectativa.
Me entregava emocionalmente… rápido demais.

E quando não dava certo — porque quase nunca dava
Eu me recolhia por um tempo…
Mas logo estava tentando de novo.

Não porque eu era “intensa demais”.
Mas porque existia uma sede dentro de mim.

Uma sede que eu não sabia explicar.
Uma necessidade silenciosa de ser escolhida… validada… amada.

E, sem perceber, eu fui tentando matar essa sede em lugares errados.

Buscando em homens o que só Deus poderia me dar.

Confundindo presença com amor.
Atenção com valor.
Conexão com propósito.

E, no fundo, eu não estava vivendo relacionamentos.
Eu estava tentando preencher vazios.

Até que um dia, assim como aquela mulher, eu tive um encontro.
Não com alguém.
Mas com Cristo.

E foi nesse encontro que algo dentro de mim começou a ser revelado.

Ele não apontou meus erros com acusação.
Mas também não ignorou a minha história.

Ele viu a minha sede.

Viu todas as vezes que eu tentei matar essa sede com migalhas emocionais.
Viu cada tentativa frustrada de encontrar em pessoas, um lugar que nunca foi delas.

E, ainda assim… Ele ficou.

Foi ali que eu entendi que o problema nunca foram as pessoas.
O problema era a fonte.

Porque quando a fonte está errada… a sede nunca acaba.
Mas quando eu experimentei da água viva… tudo mudou.

“Quem beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede,
porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água
que salte para a vida eterna.” — João 4:14


Não foi um sentimento momentâneo.
Não foi uma fase espiritual.

Foi transformação.

Deus restaurou a minha identidade.
Curou lugares em mim que eu nem sabia que estavam feridos.
Me ensinou que eu não precisava mais me diminuir pra caber no desejo de alguém.

E, pela primeira vez, eu não estava buscando amor.
Eu estava cheia dele.

Hoje, quando eu olho pra minha vida, eu entendo.
Não é que ninguém seja bom o suficiente.
É que eu já não tenho mais sede.

E quem não tem sede…
Não sai por aí bebendo qualquer coisa.

Eu não vivo mais tentando preencher vazios com presenças.
Não negocio mais minha paz por atenção.
Não confundo carência com conexão.

Porque quem já provou da água viva
Não se satisfaz com fontes rasas.

E talvez…
Se você estiver se identificando com essa história…

Se você também tem tentado, insistido, se entregado
E ainda assim sente que algo sempre falta…

Talvez não seja falta de alguém.
Talvez seja sede de Deus.

E eu te digo com toda certeza que hoje carrego:
Essa sede não se resolve com mais uma tentativa.
Ela se resolve com um encontro.

E quando você encontra…
Você não precisa mais procurar.

“Assim como a corça anseia por águas correntes, a minha alma anseia por ti, ó Deus.”
— Salmos 42:1

Pamela Martins

“Cada testemunho compartilhado aqui conta um pouco de mim e muito de Deus.
Espero que aquilo que um dia me feriu, sirva de cura para quem ler, e que cada palavra escrita com dor, floresça em consolo, esperança e recomeço.”

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