Capítulo 119 — Unidade começa quando você para de competir e começa a se curar

Mulheres curadas não competem. Elas constroem pontes.

Recentemente, eu recebi um convite para ministrar para algumas mulheres sobre o tema unidade.

E, enquanto eu preparava aquela mensagem…
Deus fez algo curioso comigo.
Ele não me levou para um lugar novo.
Ele me levou de volta para quem eu já fui um dia.

Porque hoje, olhando para a forma como eu me relaciono com outras mulheres,
eu consigo perceber o quanto Deus já me tratou nessa área.
Mas, naquele momento, Ele me fez lembrar de como nem sempre foi assim.

Eu já fui a mulher que se comparava em silêncio.
Que se media o tempo inteiro.
Que se ajustava dependendo de quem estivesse por perto.

Não era algo que eu falava.
Mas era algo que eu sentia.
E, por muito tempo, eu nem sabia nomear isso.

Até entender que aquilo não era personalidade… era ferida.

Porque a comparação não nasce da maldade.
Ela nasce de uma identidade que ainda não foi firmada.

E quando a gente não sabe quem é…
A gente começa a querer ser aquilo que admira no outro.
E sem perceber, a gente se distancia daquilo que Deus já disse sobre nós.

Foi exatamente aí que Deus começou a me tratar.
Não no exterior.
Mas internamente.

O texto base da ministração foi Efésios 4:1-3 que diz assim:

“Vivam de modo digno do chamado que receberam.
Sejam completamente humildes e amáveis,
Sejam pacientes, suportando uns aos outros em amor.
Façam todo o possível para se manterem UNIDOS no Espírito, ligados pelo vínculo da paz.”


E quanto mais eu meditava nele, mais eu percebia algo que antes tinha passado despercebido por mim:
Paulo não começa falando sobre comportamento… ele começa falando sobre identidade e chamado.

E aquilo me fez entender que não existe postura saudável, sem identidade bem resolvida.

Porque como eu posso viver unidade, se eu ainda estou tentando me provar?
Como eu posso me posicionar com leveza, se eu ainda estou me comparando?

E isso se torna ainda mais desafiador quando a gente olha para a realidade que muitas de nós vivemos.

Nós crescemos cercadas de expectativas.
De rótulos.
De exigências.

A gente aprende que precisa ser forte, dar conta de tudo, equilibrar tudo, provar valor o tempo inteiro.
Como se o nosso valor estivesse diretamente ligado ao quanto conseguimos sustentar.

E enquanto o mundo espera uma mulher que confia na própria força.
Deus espera por uma mulher que vive uma vida de dependência da presença dEle.

E quando olhamos com mais profundidade para a mulher descrita em Provérbios 31,
não vemos uma mulher sobrecarregada tentando provar que dá conta.

Vemos uma mulher que já entendeu quem é.
Que confia na vontade de Deus.
Que depende da provisão dEle.
E que constrói, mas a partir de um coração rendido.

O valor dela não está no desempenho.
Está na identidade.

E foi nesse contraste que Deus começou a alinhar o meu coração.

Porque eu percebi que, por muito tempo, eu tentei viver uma versão de mim que o mundo validava.
Mas que não era exatamente quem Deus tinha me chamado para ser.

E isso cansa.
Cansa viver tentando corresponder.
Cansa viver tentando sustentar.
Cansa viver tentando provar.

Foi então que eu entendi que não adiantava querer viver o chamado,
Sem antes permitir que Deus tratasse a minha identidade.

Porque a gente não descobre quem é em Deus
Sem antes permitir que Ele cure quem a gente se tornou ao longo do caminho.

E esse processo não é automático.
Ele é intencional.
E, principalmente, totalmente rendido.

A Bíblia diz, no livro de Salmos, algo que passou a fazer muito sentido para mim nesse tempo:

“Perto está o Senhor dos que têm o coração quebrantado e salva os contritos de espírito.” (Salmos 34:18)

E foi nesse lugar, de verdade, de entrega, de parar de tentar dar conta sozinha
que eu comecei a experimentar uma transformação real.

Mas eu precisei entregar o que eu escondia.
As inseguranças que eu disfarçava.
As comparações que eu normalizava.
As versões minhas que eu insistia em sustentar.

Porque eu entendi que Deus não cura o que a gente esconde.
Ele cura o que a gente entrega.

E, aos poucos, Ele foi fazendo algo que eu não conseguiria fazer sozinha.

Ele foi restaurando a minha identidade.
E me lembrando quem eu sou nEle.

Como está escrito em Primeira Pedro 2:9:

“Vós sois geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo adquirido,
para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.”

E eu entendi que não precisava me tornar alguém.
Eu só precisava me lembrar quem eu já era em Deus.

E quando essa verdade se torna viva dentro de você… tudo muda.

A forma como você se vê muda.
A forma como você se posiciona muda.
E, inevitavelmente… a forma como você se relaciona também muda.

Foi assim que, ao longo do tempo, Deus foi transformando a minha forma de olhar para outras mulheres.

E então, eu deixei de enxergar comparação…
e comecei a enxergar propósito.

Deixei de enxergar ameaça…
e comecei a enxergar conexão.

E hoje, eu elogio mais.
Eu incentivo mais.
Eu celebro mais as conquistas alheias.

Mas não porque eu me esforço.
E sim porque aquilo que antes me fazia competir…
já não governa mais quem eu sou.

E foi nesse lugar que eu entendi algo que carrego comigo até hoje:

Mulheres curadas não constroem muros…
Elas constroem pontes.

E ser ponte é não reter o que Deus fez em você.

É entender que a sua história não termina em você.

É olhar para outra mulher e, ao invés de se comparar… se aproximar.
Ao invés de disputar… caminhar junto.

Ser ponte é reconhecer que aquilo que Deus fez na sua vida,
pode ser exatamente o que outra mulher precisa para continuar.

É estender a mão.
É compartilhar o caminho.
É facilitar o acesso.

E, no fim, não sobre quem aparece mais.
Mas sobre quem decide amar mais.

E hoje, olhando para trás, eu vejo que a minha jornada se tornou mais leve quando eu parei de competir e comecei a caminhar junto.

Quando eu parei de me comparar e comecei a me posicionar.

Quando eu parei de me defender o tempo inteiro e comecei a confiar no processo de Deus em mim.

E talvez, hoje, o convite de Deus para você não seja olhar para fora.
Mas olhar para dentro.

E se perguntar:
O que em mim ainda precisa ser entregue?

Porque unidade não começa quando todo mundo ao meu redor muda.
Começa quando o meu coração se rende e se permite ser curado por Deus.

E quando isso acontece…
Você deixa de ser uma mulher que se protege
E se torna uma mulher que constrói.
Que conecta.
Que levanta outras mulheres.

Como Jesus nos ensinou no Evangelho de João quando disse:

“Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros.”
(João 13:35)

E quando esse amor deixa de ser discurso e passa a ser prática…
Viver em unidade deixa de ser um conceito.
E passa a ser um reflexo de um coração transformado por Deus.

Pamela Martins

“Cada testemunho compartilhado aqui conta um pouco de mim e muito de Deus.
Espero que aquilo que um dia me feriu, sirva de cura para quem ler, e que cada palavra escrita com dor, floresça em consolo, esperança e recomeço.”

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