E se Ele pedir aquilo que você mais ama?
Aquilo que você jurou que nunca perderia.
Aquilo que você acreditava ser indispensável para ser feliz.
Aquilo que você chamou de sonho.
Aquilo que você chamou de promessa.
Aquilo que você chamou de resposta.
Ainda assim você diria sim?
Porque é fácil dizer que confiamos em Deus quando Ele está entregando aquilo que desejamos.
É fácil cantar sobre rendição quando nada está sendo exigido de nós.
É fácil falar sobre fé enquanto continuamos segurando as rédeas da própria vida.
Mas a verdadeira entrega começa quando Deus toca exatamente naquilo que não queríamos colocar sobre o altar.
Abraão descobriu isso quando Deus lhe pediu Isaque.
Moisés descobriu isso quando precisou abandonar o conforto do palácio.
Ester descobriu isso quando precisou arriscar a própria vida.
Paulo descobriu isso quando trocou prestígio por perseguição.
Jesus descobriu isso no Getsêmani.
Todos eles tiveram algo em comum.
Precisaram escolher entre aquilo que amavam e Aquele que amavam acima de tudo.
E talvez essa seja uma das perguntas mais difíceis da caminhada cristã:
Se Deus pedir tudo… você continua dizendo sim?
Durante muito tempo, achei que a maior prova da minha fé seria aprender a esperar.
E eu estava errada.
A maior prova da minha fé foi aprender a entregar.
Porque esperar ainda deixa espaço para controlar.
Você continua fazendo planos.
Continua imaginando cenários.
Continua acreditando que, de alguma forma, conseguirá conduzir o resultado.
Mas entregar é diferente.
Entregar é abrir as mãos.
É permitir que Deus faça o que quiser.
Mesmo quando isso inclui perder algo que você queria muito manter.
E foi exatamente aí que Deus começou a trabalhar em mim.
Ele não começou mexendo nos meus sonhos.
Começou mexendo na minha identidade.
Porque durante anos eu procurei em pessoas aquilo que só poderia encontrar nEle.
Procurei pertencimento.
Procurei validação.
Procurei segurança.
Procurei amor.
Como se alguém pudesse finalmente preencher todos os vazios que eu carregava.
Mas ninguém consegue sustentar um lugar que pertence a Deus.
E toda vez que colocamos uma pessoa nesse lugar, mais cedo ou mais tarde, a estrutura desaba.
Não porque a pessoa seja ruim.
Mas porque ela não foi criada para ser nossa fonte.
Hoje eu consigo enxergar isso com clareza.
Mas houve um tempo em que eu confundia amor com necessidade.
Confundia atenção com cura.
Confundia companhia com identidade.
E Deus, em Sua infinita misericórdia, começou a confrontar tudo isso.
Não de uma vez.
Mas camada por camada.
Como um Pai amoroso que sabe exatamente quais estruturas precisam ser removidas antes de iniciar uma reconstrução.
Quando me tornei mãe ainda muito jovem, precisei amadurecer antes da hora.
Quando enfrentei períodos escuros da minha vida, precisei aprender a sobreviver.
Quando minha saúde desmoronou, precisei reaprender a viver.
Quando relacionamentos terminaram, precisei reaprender a caminhar.
Quando sonhos morreram, precisei reaprender a confiar.
E em cada uma dessas estações eu acreditava que Deus estava tirando alguma coisa de mim.
Hoje percebo que Ele estava revelando alguma coisa em mim.
Porque só descobrimos onde nossa identidade está apoiada quando o apoio desaparece.
E houve uma estação em que Deus me colocou de joelhos.
Não apenas de forma simbólica.
Mas profundamente.
Espiritualmente.
E emocionalmente.
Foi como se Ele removesse, pouco a pouco, tudo aquilo que eu chamava de segurança.
Tudo aquilo que eu acreditava controlar.
Tudo aquilo que eu pensava que era meu.
Pessoas.
Planos.
Expectativas.
Sonhos.
Versões de mim mesma.
E quando finalmente me vi sem nada para segurar, ouvi Deus sussurrar ao meu coração:
“Agora construa novamente. Mas desta vez, sobre Mim.”
Foi doloroso.
Porque toda reconstrução exige demolição.
E ninguém gosta de assistir paredes caindo.
Ainda que elas tenham sido construídas sobre areia.
Mas Jesus disse:
“Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras e as pratica será comparado a um homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha.” (Mateus 7:24)
E eu achava que estava perdendo.
Mas Deus estava apenas removendo os alicerces errados.
Então percebi que talvez a maior entrega que já fiz não tenha sido abrir mão de uma pessoa.
Talvez tenha sido abrir mão da necessidade de ser escolhida.
Porque existe uma diferença enorme entre desejar ser amada e precisar ser amada para se sentir completa.
Mas durante muito tempo eu não conheci essa diferença.
Eu dizia que queria um relacionamento.
Mas, no fundo, muitas vezes eu queria confirmação.
Queria pertencimento.
Queria alguém que me convencesse de que eu era suficiente.
Até que Deus começou a me ensinar uma verdade desconfortável:
Enquanto eu precisasse que alguém me escolhesse para validar quem eu sou, eu jamais seria verdadeiramente livre.
E foi por isso que Ele começou a me chamar para um lugar de renúncia.
Não apenas de relacionamentos.
Mas de dependências emocionais.
Não apenas de afetos.
Mas de ídolos invisíveis.
Não apenas de pessoas.
Mas da necessidade que eu tinha delas.
E recentemente, tomei uma decisão que muita gente talvez não compreenda.
Decidi separar um tempo da minha vida para Deus.
Um tempo de santidade.
De silêncio.
De castidade.
De cura.
De alinhamento.
Não porque desisti do amor.
Mas porque me recusei a continuar buscando amor da forma errada.
E pela primeira vez, não estou correndo atrás de uma promessa.
Estou correndo atrás da Presença.
E isso muda tudo.
Porque quando Deus se torna suficiente, você para de negociar princípios para não perder pessoas.
Você para de acelerar processos para não perder oportunidades.
Você para de transformar carência em propósito.
Você para de chamar pressa de promessa.
Você aprende a descansar.
E talvez seja exatamente isso que Deus esteja tentando ensinar a você também.
Talvez você tenha se perguntado:
“Por que a batalha aumentou?”
“Por que estou me sentindo tão cansada?”
“Por que tudo parece mais difícil agora?”
“Por que Deus está mexendo justamente nessa área?”
Talvez porque nem toda pressão seja sinal de destruição.
Algumas pressões são sinais de transição.
Nem toda dor anuncia um funeral.
Algumas anunciam um nascimento.
Vivemos em uma geração que interpreta qualquer desconforto como abandono.
Mas a Bíblia nos mostra outra realidade.
José precisou passar pela cisterna antes do palácio.
Davi precisou atravessar o deserto antes do trono.
E Jesus precisou passar pela cruz antes da ressurreição.
Existe algo que Deus produz nas pressões que não pode ser produzido em nenhum outro lugar.
A dor possui uma linguagem que a prosperidade nunca aprenderá.
O deserto ensina lições que o conforto jamais ensinará.
Por isso Tiago escreveu:
“Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações, sabendo que a provação da vossa fé produz perseverança.” (Tiago 1:2-3)
Porque Deus não desperdiça sofrimento.
Ele transforma sofrimento em formação.
E foi somente quando parei de lutar contra o processo que comecei a enxergar o propósito.
Porque olhando para trás, percebo que Deus não estava me punindo.
Ele estava me preparando.
Não estava me rejeitando.
Estava me refinando.
Não estava me destruindo.
Estava me transformando.
Como o oleiro faz com o barro.
Como o agricultor faz com a videira.
Como o Pai faz com os filhos que ama.
Porque o amor de Deus não busca apenas o nosso conforto.
Ele busca a nossa transformação.
E transformação quase sempre dói.
Hoje eu entendo algo que antes me escapava.
Muitas vezes Deus não remove algo porque aquilo é ruim.
Ele remove porque aquilo se tornou maior do que deveria dentro de nós.
Às vezes Ele toca em relacionamentos.
Às vezes toca em sonhos.
Às vezes toca em projetos.
Às vezes toca em seguranças emocionais.
Não porque deseja nos ferir.
Mas porque deseja ocupar novamente o lugar que pertence somente a Ele.
O lugar de fonte.
O lugar de sustento.
O lugar de identidade.
O lugar de primeiro amor.
E Jesus disse:
“Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim.” (Mateus 10:37)
Ele não estava falando sobre falta de amor.
Ele estava falando sobre prioridade.
Porque tudo aquilo que ocupa o lugar de Deus acaba se tornando um ídolo.
Mesmo quando parece algo bom.
Hoje, olhando para tudo o que vivi, percebo algo que não conseguia enxergar enquanto chorava.
Aquilo que Deus removeu nunca foi maior do que aquilo que Ele estava gerando.
Nunca.
Nem por um segundo.
Porque existe alegria do outro lado do parto.
Existe vida do outro lado da pressão.
Existe propósito do outro lado da dor.
O próprio Jesus disse:
“A mulher, quando está para dar à luz, sente tristeza porque chegou a sua hora; mas, depois de nascida a criança, já não se lembra da aflição, pela alegria de ter vindo ao mundo um ser humano.” (João 16:21)
Talvez seja exatamente isso que você esteja vivendo.
Talvez você esteja chamando de perda aquilo que Deus chama de preparação.
Talvez esteja chamando de atraso aquilo que Deus chama de alinhamento.
Talvez esteja chamando de silêncio aquilo que Deus chama de gestação.
Porque existem coisas que Deus não faz de repente.
Ele gera.
Ele forma.
Ele amadurece.
Ele prepara.
E Ele desenvolve no secreto antes de revelar no público.
Houve um tempo em que eu pedia para Deus me entregar aquilo que eu sonhava.
Hoje eu peço que Ele me transforme na mulher capaz de sustentar aquilo que Ele sonhou para mim.
Porque finalmente entendi uma verdade que mudou tudo:
Deus nunca esteve mais interessado em dar algo do que em formar alguém.
Por isso, se a batalha aumentou, não pare agora.
Ore mais um pouco.
Creia mais um pouco.
Permaneça mais um pouco.
Continue obedecendo.
Continue confiando.
Continue caminhando.
Mesmo sem respostas.
Mesmo sem entender.
Mesmo sem enxergar.
Porque as dores aumentaram.
Mas talvez não seja porque você está morrendo.
Talvez seja porque algo dentro de você está prestes a nascer.
Uma fé mais madura.
Uma identidade mais firme.
Uma dependência mais profunda.
Uma intimidade mais verdadeira.
Uma mulher que já não precisa ser escolhida para saber quem é.
Uma mulher que já não corre atrás de promessas porque encontrou a Presença.
Uma mulher que descobriu que Deus continua sendo suficiente, mesmo quando tudo o mais é colocado sobre o altar.
Talvez Deus não esteja destruindo a sua vida.
Talvez Ele esteja destruindo apenas aquilo que não poderá entrar na próxima estação.
Porque existem versões de nós que são perfeitas para sobreviver ao deserto, mas incapazes de habitar a Terra Prometida.
E quando Deus ama alguém profundamente, Ele não permite que ela carregue para o futuro aquilo que pertence ao passado.
Então não desista.
Algumas dores anunciam funerais.
Mas outras anunciam partos.
Talvez você esteja chamando de fim aquilo que o céu já chama de começo.
E talvez, quando olhar para trás, perceba que quando Deus pediu tudo, Ele nunca esteve tentando tirar algo de você.
Ele estava abrindo espaço para entregar algo infinitamente maior.
Ele mesmo.
“Todavia, o que para mim era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo. Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor.” (Filipenses 3:7-8)