Capítulo 48 — Quando eu escolhi o Céu e soltei a Terra

“Porque o que Deus está fazendo em mim exige espaço — e eu decidi deixar tudo que era terreno para que Ele pudesse crescer.”

“Confia ao Senhor as tuas obras, e os teus pensamentos serão estabelecidos.”
— Provérbios 16:3

Nem toda despedida é o fim de uma história.
Algumas são o começo de um novo chamado.
E foi isso que eu aprendi quando Deus me pediu para soltar alguém que eu ainda amava.
Não porque o amor era errado, mas porque ele estava fora do propósito.

Eu quis cuidar.
Quis ser abrigo, calmaria, respiro.
Mas no meio do cuidado, percebi que estava tentando curar alguém enquanto eu mesma ainda me curava.
E Deus, com Sua voz mansa e firme, me lembrou:

“Filha, quem Eu estou curando precisa estar inteiro pra Mim, não dividido com ninguém.”

Doeu reconhecer que o que parecia afeto era, na verdade, apego.
Doía deixar ir o que um dia me fez sorrir, mas doía mais trair a voz que me chama pro altar.
E foi ali, no meio dessa confusão de sentimentos, que eu entendi:
Não há espaço pra outro amor quando Deus quer ocupar tudo.

Ele vem me ensinando que o que Ele tem pra mim exige 100% de disponibilidade.
Disponibilidade para depender.
Para confiar na provisão d’Ele.
Para deixar o controle nas mãos certas.
Para amar sem distrações, servir sem segundas intenções e viver com o coração inteiro.
E esse inteiro precisa ser só Dele — por enquanto.

Hoje eu sei: o tempo não é de dividir o coração, é de santificá-lo.
Deus está escrevendo algo grande, e pra isso Ele precisa de espaço.
E espaço, às vezes, nasce da ausência de quem a gente achou que ficaria.

Eu ainda oro por ele — não pra que volte, mas pra que seja curado.
Para que Deus o encontre, o restaure e o leve onde eu não posso mais estar.
E quando a saudade tenta confundir, eu lembro:
A presença fora do propósito também fere.

Há momentos em que amar é se afastar.
E há despedidas que são, na verdade, atos de adoração.

“É necessário que Ele cresça, e que eu diminua.”
— João 3:30

Reflexão Final
Se Deus te pediu pra soltar algo — ou alguém —, não veja isso como castigo.
Veja como convite.
Convite para deixar o céu ocupar o lugar que o apego ocupava.
Convite para ser inteiro, pra ser leve, pra ser livre.
Porque quando Ele decide fazer algo grande em nós,
Ele começa esvaziando o que não cabe mais.

E acredite — o amor que vem depois da obediência é sempre maior, mais puro e mais eterno.

“Mas o que para mim era lucro passei a considerar perda, por amor de Cristo.”
— Filipenses 3:7-8


“Senhor, obrigada por me ensinar que o Teu “não” também é amor.
Eu Te entrego as lembranças, as saudades e os apegos que ainda me prendem ao que já passou.
Faz morada no espaço que ficou vazio.
Ensina-me a depender de Ti em tudo, a confiar no Teu cuidado e na Tua provisão.
Que o meu coração seja 100% Teu — pra amar, servir e viver conforme o Teu propósito.
E quando o tempo da promessa chegar, que eu esteja pronta — inteira, curada e cheia de Ti.”
Amém!

Pamela Martins

“Cada testemunho compartilhado aqui conta um pouco de mim e muito de Deus.
Espero que aquilo que um dia me feriu, sirva de cura para quem ler, e que cada palavra escrita com dor, floresça em consolo, esperança e recomeço.”

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