Capítulo 49 — Quando Deus me encontrou em ruínas e me refez

“Porque a graça não apenas me achou — ela me reconstruiu.”

“Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração.”
— Salmos 139:23

Houve um tempo em que eu achava que fé era estar sempre bem.
Mas Deus me ensinou que a fé verdadeira floresce na terra rachada,
naquela onde já não cabe mais disfarce, e o coração sangra de tanto segurar o que devia ter sido entregue.

Eu me lembro de quando tentei ser forte o bastante pra segurar tudo:
O time, as filhas, os sonhos, as contas, os amores que ficaram no meio do caminho.
Mas chegou um dia em que o corpo cansou, a alma pesou
e eu percebi que força nenhuma vence o cansaço que nasce da ausência de Deus.

Foi nesse ponto que Ele me sondou — não pra me punir, mas pra me revelar a mim mesma.
E nas ruínas que eu tentava esconder, começou a obra que eu tanto temia e, ao mesmo tempo, mais precisava.

Nem sempre a sondagem de Deus vem com consolo; às vezes vem com espelho.
E o reflexo que Ele mostra é aquele que a gente evitou encarar por muito tempo.
Foi ali que compreendi o que Paulo quis dizer quando escreveu:

“A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza.”
— 2 Coríntios 12:9

Eu lia esse versículo há anos, mas só entendi quando vi minha própria força se esgotando.
Quando tudo o que eu podia fazer já não era suficiente e, ainda assim, algo dentro de mim não desmoronava.
Era Ele.
A graça d’Ele sustentando o que minhas mãos já não conseguiam segurar.

Hoje, olhando para trás, percebo que as ruínas não foram castigo — foram canteiro.
Deus não apenas me tirou dali; Ele plantou vida onde só havia entulho.
E foi desse chão rachado que começaram a brotar novas convicções.

A fé que antes tremia em meio à dor agora aprendeu a descansar no meio do processo.
Porque a verdadeira força não está em resistir ao vento,
mas em deixar que ele leve o que já não pertence à nova versão de mim.

E foi aí que o versículo que um dia soou como promessa virou rotina:

“Posso todas as coisas naquele que me fortalece.”
— Filipenses 4:13

Não porque agora eu seja invencível,
mas porque aprendi a depender d’Ele.
Posso tudo — não porque tudo é fácil,
mas porque posso suportar todas as coisas, por mais difíceis que sejam,
desde que eu esteja enraizada n’Ele.

Hoje, eu não vivo mais entre escombros.
Mas ainda carrego no coração a humildade de quem sabe de onde foi tirada.
Cada passo é testemunho de um Deus que me sondou, me expôs, me quebrou — e me refez.

E foi nesse meu processo de reconstrução que o versículo que já me acompanhava há tanto tempo,
ganhou ainda mais força e se tornou um lembrete diário:

“Não fui Eu que te ordenei? Sê forte e corajosa.
Não temas, nem te espantes, porque o Senhor, teu Deus, está contigo por onde quer que andares.”
— Josué 1:9

Hoje, coragem pra mim não é ausência de medo — é obediência, apesar dele.
E fé não é sobre nunca cair, é sobre se deixar levantar, sabendo que Ele ainda está por perto.

“O teu amor é melhor do que a vida, e por isso, te louvarei.”
— Salmos 63:4

Porque no fim de tudo, o amor d’Ele foi o que me manteve de pé.
E o que um dia me feriu, hoje me faz adorar, não pelo que perdi,
mas pelo que Ele restaurou em mim.

E quando minha alma entendeu que foi curada, ela naturalmente se rendeu.
Não por obrigação, mas por amor.
E foi desse lugar de rendição que nasceu a minha oração:

“Senhor, obrigada por me tirar das ruínas que eu mesma cavei.
Por sondar o que ninguém via e transformar o que parecia perdido.
Se ainda há entulho dentro de mim, continua limpando com Tua graça.
Refaz o que for preciso — mesmo que doa,
mas não me deixa voltar a ser o que já morri pra ser.
Que a minha história carregue o perfume da restauração,
e que cada capítulo novo mostre o poder de um Deus que reconstrói tudo, inclusive corações.”
Amém!

“E lhes darei uma coroa em vez de cinzas, óleo de alegria em vez de pranto,
e vestes de louvor em vez de espírito angustiado;
e serão chamados carvalhos de justiça, plantados pelo Senhor para a Sua glória.”
— Isaías 61:3

Pamela Martins

“Cada testemunho compartilhado aqui conta um pouco de mim e muito de Deus.
Espero que aquilo que um dia me feriu, sirva de cura para quem ler, e que cada palavra escrita com dor, floresça em consolo, esperança e recomeço.”

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