“Entre folhas que caem, silêncios que protegem e a fé de quem permanece inteira.”
Existe uma beleza que só aparece quando a gente olha de fora.
Porque de longe, a história parece pronta.
A árvore florida.
O testemunho alinhado.
A mulher forte que venceu.
Mas só quem vive o processo sabe:
Nem toda estação florida começa com pétalas
Algumas começam com queda.
Há folhas que precisam cair para que a árvore volte a florescer no tempo certo.
E deixar cair dói.
Porque nem toda folha está seca aos nossos olhos.
Algumas ainda têm memória, afeto, história.
Mas Deus não trabalha com apego
Ele trabalha com propósito.
E eu precisei deixar cair.
Não por falta de amor,
mas por excesso de clareza.
Porque quando Deus fala, Ele não grita — Ele alinha.
E eu ouvi.
Ouvi quando Ele disse que não era ali.
Ouvi quando Ele pediu obediência antes de conforto.
Ouvi quando Ele me chamou para um lugar de silêncio, não de exposição.
E obedecer não me deixou vazia.
Mas também não me transformou em alguém blindada da própria humanidade.
Eu ainda sou feita de carne.
Ainda sinto.
Ainda penso.
Ainda questiono.
Não são dúvidas, são perguntas legítimas de quem caminha com Deus sem fingir força espiritual.
Porque há dias em que a fé é simples.
Mas outros, em que ela exige coragem.
Porque bem-aventurada não é a mulher que nunca questiona,
mas aquela que crê que se cumprirá tudo o que o Senhor lhe disse,
mesmo quando o cumprimento parece distante.
E crer, nesse ponto da caminhada, não é romantizar o futuro.
É permanecer inteira no presente.
E permanecer inteira tem um custo:
Dizer não para portas que já conhecemos,
fechar ciclos que tentam se reabrir,
não negociar princípios para não se sentir sozinha.
E existe um tipo de riqueza que não se mede por companhia, mas por discernimento.
Rica é a mulher que entende o valor de um homem segundo o coração de Deus e, por isso mesmo, não aceita qualquer presença só para não caminhar sozinha.
E eu não estou carente.
Não estou vazia.
Não estou esperando alguém me completar.
Eu já estou completa.
E exatamente por isso, escolhi não permitir que ninguém ocupe o lugar onde Deus decidiu habitar primeiro.
Porque há momentos em que Ele nos esconde.
Não para nos diminuir, mas para nos preservar.
E coisas incríveis acontecem quando a gente diz:
“Deus, seja feita a Tua vontade.”
Nem sempre coisas fáceis.
Nem sempre rápidas.
Mas sempre certas.
“Pois o Senhor é quem vai à tua frente;
Ele estará contigo, não te deixará nem te desamparará.
Não temas, nem te espantes.”
— Deuteronômio 31:8
E se um dia alguém caminhar ao meu lado,
que seja alguém que ame mais a Deus do que a mim.
Porque só um amor assim não compete — coopera.
Só um amor assim não exige atalhos — respeita processos.
Só um amor assim entende que antes de ser escolhida por alguém, eu já fui escolhida por Deus.
Até lá, eu sigo.
Com folhas no chão que já cumpriram seu ciclo.
Com raízes mais profundas do que antes.
Com flores que ainda não apareceram
mas que estão sendo preparadas no invisível.
Porque algumas curas não apagam cicatrizes.
Elas apenas as transformam em sinais de graça.
“A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza.”
— 2 Coríntios 12:9
E assim eu caminho:
Humana, consciente e protegida.
Com perguntas no coração, paz no espírito e a permissão de Deus para continuar,
mesmo quando o processo é mais difícil do que parece de fora.
“Mas, pela graça de Deus, sou o que sou; e a sua graça, que me foi concedida, não se tornou vã. Antes, trabalhei mais do que todos eles; contudo, não eu, mas a graça de Deus comigo.”
— 1 Coríntios 15:10