“Não era sobre o que Deus podia me dar. Era sobre quem eu precisava deixar de ser.”
Durante muito tempo, eu caminhei com Jesus, mas não atrás d’Ele. Eu andava ao lado.
Mantendo meus planos intactos, minhas escolhas no controle e minha vida bem organizada, com Deus como complemento.
Eu cria em Cristo, mas não me submetia a Ele.
Eu O buscava quando precisava,
O exaltava quando era conveniente
e O ouvia… desde que Sua voz não confrontasse o que eu ainda não queria largar.
Hoje eu entendo:
Eu não era discípula.
Eu era parte da multidão.
Porque a multidão ama as palavras de Jesus.
Se emociona com os milagres.
Corre atrás do pão multiplicado.
Mas recua quando a cruz aparece.
Mas Jesus nunca se confundiu quanto a isso.
“Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.”
— Lucas 9:23
Ele nunca chamou fãs.
Ele nunca prometeu conforto.
Ele nunca negociou obediência.
Jesus não buscava pessoas entusiasmadas com Suas palavras
Ele buscava pessoas obedientes à Sua missão.
E obedecer… custa.
Porque o discipulado exige renúncia.
Não para sermos salvos — porque a salvação já foi paga na cruz,
mas para sermos transformados.
“Porque somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus preparou de antemão, para que andássemos nelas.”
— Efésios 2:10
E só então eu entendi:
O caminho já existia.
As obras já estavam prontas.
O que ainda precisava ser formado era eu.
Mas por muito tempo, eu fui como o jovem rico.
Eu queria Jesus.
Mas não queria abrir mão da minha vida do jeito que estava.
Eu queria segui-Lo…
desde que Ele não tocasse nas minhas escolhas,
nos meus afetos,
nos meus planos,
nos meus controles.
Eu queria que Cristo fosse parte da minha história, não o Autor dela.
E por muito tempo, eu também fui como a multidão.
Eu ia até Jesus em busca de respostas.
De milagres.
De alívio.
Mas voltava para casa levando tudo comigo
inclusive aquilo que Ele já havia pedido para eu deixar.
Até o dia em que algo mudou.
Não foi quando Deus me deu algo novo.
Foi quando Ele me pediu algo antigo.
Ele não me chamou para acrescentar fé à minha rotina.
Ele me chamou para reorganizar o centro da minha vida.
Foi quando eu entendi algo que me atravessou por dentro:
Jesus não pediu nada que Ele mesmo não tivesse vivido.
Porque Ele também era rico e se fez pobre por amor a nós.
“Pois conheceis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, se fez pobre por amor de vós.”
— 2 Coríntios 8:9
Ele deixou glória.
Deixou posição.
Deixou conforto.
Deixou tudo.
E ali, diante dessa verdade, eu não consegui mais negociar.
Porque eu finalmente entendi que existem dois tipos de seguidores de Jesus:
Os discípulos e a multidão.
A multidão se encanta.
O discípulo se submete.
A multidão busca milagres.
O discípulo aceita o processo.
A multidão quer Jesus como meio.
O discípulo vive Jesus como fim.
“Assim, pois, qualquer de vós que não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo.”
— Lucas 14:33
Quando eu finalmente larguei tudo — não coisas apenas,
mas controle, expectativas, caminhos próprios — tudo mudou.
Não porque minha vida ficou mais fácil.
Mas porque ela ficou alinhada.
Eu parei de pedir para Deus me acompanhar
e comecei a segui-Lo.
E a obediência que antes me assustava,
se transformou em liberdade.
Porque aquilo que se perde fora do altar
já estava pesado demais para carregar.
Hoje eu sei:
O Reino não começa quando Deus entra na nossa vida.
Ele começa quando nós saímos do centro dela.
E quando isso acontece,
não é que a vida perde sentido
ela finalmente encontra um.
Eu não sou mais parte da multidão.
Eu sou discípula.
E discipulado não é sobre perfeição.
É sobre rendição diária.
É escolher obedecer.
Mesmo quando dói.
Mesmo quando custa.
Mesmo quando ninguém vê.
Porque só os discípulos seguem até a cruz.
Mas também são os únicos que ressuscitam com Ele.
“Já estou crucificada com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim.”
—Gálatas 2:20