“Quando agir seria desobediência e esperar se torna fé.”
Nem sempre coragem é agir.
Às vezes, coragem é ficar.
É silenciar quando o impulso grita.
É não responder quando o ego pede palco.
É confiar quando o coração quer provas.
Aprendi, com o tempo, que a força que sustenta não nasce do movimento constante, mas do descanso confiante.
A Bíblia chama isso de um lugar específico, quase esquecido na pressa dos nossos dias:
“No sossego e na confiança estaria a vossa força.” (Isaías 30:15)
Durante muito tempo, eu confundi fé com movimento.
Achava que, se eu não estivesse fazendo algo — decidindo, respondendo, resolvendo — então Deus não estava agindo.
Mas a maturidade espiritual me ensinou uma verdade desconfortável e libertadora:
Há estações em que agir é ansiedade disfarçada de coragem.
Foi no silêncio que Deus começou a me curar.
E silêncio não é ausência.
Silêncio é governo.
A Palavra diz:
“Bom é aguardar a salvação do Senhor, e isso, em silêncio.” (Lamentações 3:26)
Não é um silêncio vazio.
É um silêncio cheio de Deus.
No começo, ele assusta.
Porque nos obriga a encarar aquilo que o barulho escondia:
O medo de errar
A urgência de acertar
A falsa sensação de que tudo depende de nós.
Eu vivi isso no trabalho.
Na liderança.
Na pressão por resultado.
Na expectativa de bater metas, corrigir rotas, sustentar time, segurar ponta por todos os lados.
Quantas vezes eu quis responder rápido.
Quantas vezes eu quis agir no impulso, resolver no braço, controlar o que parecia fora do eixo.
Mas aprendi — muitas vezes do jeito mais difícil — que nem toda resposta imediata vem da sabedoria.
A Bíblia é direta quando diz:
“Responder antes de ouvir é estultícia e vergonha.” (Provérbios 18:13)
E também alerta:
“Os planos do diligente conduzem à fartura, mas a pressa excessiva leva à pobreza.”
(Provérbios 21:5)
Isso vale para negócios, metas, liderança, decisões difíceis.
Há momentos em que esperar não é fraqueza, é estratégia espiritual.
E quando uma mulher caminha com propósito, ela não se torna imune às tempestades
Ela se torna enraizada.
Porque Jesus nunca prometeu ausência de chuva.
Ele prometeu fundamento.
“Todo aquele que ouve estas minhas palavras e as pratica é como o homem prudente que edificou a casa sobre a rocha. Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos… e ela não caiu.” (Mateus 7:24–25)
Os ventos continuam soprando.
As cobranças continuam vindo.
As incertezas continuam rondando.
Mas quem tem raiz, permanece.
Porque propósito não é velocidade.
É direção.
E eu vivi essa lição na maternidade.
Mas vivi também como mulher, como líder, como profissional, como alguém que precisava decidir caminhos, lidar com finanças, resolver problemas reais da vida adulta.
A maternidade só escancarou o princípio:
Amar não é controlar.
É formar fundamento.
A Bíblia chama isso de legado:
“Instrui o menino no caminho em que deve andar, e até quando envelhecer não se desviará dele.” (Provérbios 22:6)
E então eu entendi:
Minhas filhas não precisam de uma mãe perfeita.
Precisam de uma mãe inteira.
Que confia em Deus mais do que na própria força.
E meu time não precisava de uma líder que resolvesse tudo sozinha.
Precisava de uma líder que discerne quando agir e quando confiar.
Porque antes de qualquer cargo,
antes de qualquer meta,
antes de qualquer plano,
meu chamado sempre foi este:
“Quanto a mim e à minha casa, serviremos ao Senhor.” (Josué 24:15)
Mas houve fases em que tudo parecia impossível.
No trabalho, portas fechadas.
Na vida pessoal, silêncio demais.
Nas finanças, perguntas sem resposta clara.
Na alma, a sensação de estar fazendo tudo “certo”, mas sem ver avanço.
E eu perguntava:
“Deus, o que eu faço agora?”
Hoje eu entendo.
Ele não queria mais uma resposta minha.
Queria entrega.
Porque: “Andamos por fé, e não por vista.” (2 Coríntios 5:7)
E porque: “O Meu poder se aperfeiçoa na fraqueza.” (2 Coríntios 12:9)
Quando entendemos isso, entendemos que o impossível não é punição.
É revelação.
É Deus desmontando o altar da autossuficiência
para reconstruir um altar de dependência.
E minhas cicatrizes não viraram flor por acaso.
Elas floresceram porque eu parei de tentar resolver tudo sozinha.
Porque respeitei silêncios.
Porque aceitei não saber o próximo passo por um tempo.
Cada resposta que eu não dei no impulso.
Cada decisão que eu levei primeiro à oração.
Cada ansiedade que eu lancei aos pés de Deus e se transformou em raiz.
“Lançai sobre Ele toda a vossa ansiedade, porque Ele tem cuidado de vós.”
(1 Pedro 5:7)
E raiz não aparece.
Mas sustenta.
Hoje eu sei:
Deus me conduzia até quando eu achava que estava parada.
Me protegia até quando eu achava que estava atrasada.
Me formava até quando eu achava que estava perdendo tempo.
Porque há tempo para tudo:
“Há tempo para todo propósito debaixo do céu.” (Eclesiastes 3:1)
E há força renovada para quem espera:
“Os que esperam no Senhor renovam as suas forças.” (Isaías 40:31)
E esse é o legado que eu quero deixar.
Não de uma mulher que correu mais rápido.
Mas de uma mulher que confiou mais fundo.
Para minhas filhas.
Para meu time.
Para mulheres que lideram, trabalham, decidem, sustentam sonhos e processos.
E para mim mesma, nos dias em que o silêncio tenta parecer abandono.
Porque coragem, às vezes, não grita.
Coragem descansa.
E no fim, a verdade se revela simples e poderosa:
“Entrega o teu caminho ao Senhor, confia n’Ele, e o mais Ele fará.” (Salmos 37:5)
Porque sempre foi e sempre será Ele.