“Onde Deus trata feridos e não exibe perfeitos.”
A igreja nunca foi um lugar para pessoas prontas.
Nunca foi palco. Nunca foi vitrine. Nunca foi tribunal.
A igreja sempre foi e sempre será, um hospital em funcionamento.
E hospital tem gente ferida.
Tem gente sangrando por dentro.
Tem gente que chegou andando…
E gente que precisou ser carregada até a porta.
Hospital tem processo.
Tem diagnóstico.
Tem tratamento.
Tem recaída.
Tem dias bons e dias em que tudo dói de novo.
E a igreja também é um centro de reabilitação espiritual.
Ali existem:
Ex-viciados.
Ex-drogados.
Ex-alcoólatras.
Ex-promíscuos.
Ex-mentirosos.
Ex-invejosos.
Ex-orgulhosos.
Ex-amargurados.
E, acima de tudo, ex-autossuficientes.
Quem está ali reconheceu algo essencial:
“Eu não dou conta sozinho.”
Por isso, quando a gente entende a igreja como hospital, o olhar muda.
A gente para de entrar procurando falhas e começa a entrar oferecendo graça.
Não faz sentido entrar num hospital esperando gente saudável.
Não faz sentido entrar numa clínica de reabilitação esperando pessoas totalmente curadas.
E não faz sentido entrar na igreja esperando santidade plena.
Se fôssemos santos, não estaríamos ali.
Já estaríamos com Cristo na glória.
A verdade, por mais desconfortável que seja, é essa:
As piores pessoas estão dentro da igreja.
Não porque sejam piores do que as de fora
Mas porque foram as que tiveram coragem de admitir que precisam de Deus para ser melhores.
E eu já fui essa pessoa.
Já bebi.
Já usei drogas.
Já me envolvi em práticas que hoje não me representam.
Já vivi promiscuidade.
Já pratiquei fornicação.
Já menti.
Já invejei.
E já tive um coração amargurado, adoecido e ferido.
E se hoje estou na igreja não é porque me tornei perfeita, mas porque entrei em tratamento.
Já abandonei práticas erradas.
Já fui restaurada em áreas profundas.
E hoje, sou muito melhor do que fui.
Mas ainda continuo em processo.
E se um dia eu escorregar — que eu espero que não aconteça
Isso não me transforma numa fraude.
Me lembra apenas que ainda sou paciente.
O problema é quando esquecemos disso e começamos a agir como fiscais da santidade alheia.
Esquecemos os nossos próprios pecados e passamos a observar o irmão do lado, esperando por um deslize.
E esse olhar mata a fé.
Enfraquece a caminhada.
Afasta pessoas de Deus…
E já me afastou, mais de uma vez.
Mas quando eu aprendi a manter meus olhos fixos em Deus, algo mudou.
Hoje, eu vou à igreja para ser ministrada.
Para ser tratada.
Para alimentar minha fome e saciar minha sede.
Eu não olho para os lados para julgar.
Só olho se for para trazer para perto.
Para ajudar.
Para sustentar.
Para não deixar alguém desistir do tratamento no meio do caminho.
Porque quem está ferido não precisa de acusação.
Precisa de cuidado.
Quem caiu não precisa de platéia.
Precisa de alguém que ajude a levantar.
E a fé fica mais leve quando a gente entende isso.
A caminhada se torna possível.
E o amor volta a fazer sentido.
E é exatamente isso que a Palavra nos ordena:
“Levai as cargas uns dos outros e, assim, cumprireis a lei de Cristo.”
Gálatas 6:2
E a lei de Cristo não é vigiar quedas.
Não é apontar falhas.
Não é exigir perfeição.
A lei de Cristo é carregar junto.
Porque, no hospital do Reino, ninguém se cura sozinho.
E quem aprendeu a amar assim já entendeu tudo o que realmente importa.
“Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento.
Este é o primeiro e grande mandamento.
E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.”
Mateus 22:37–39
No fim, não é sobre parecer santo.
É sobre amar a Deus acima de tudo
E aprender a amar pessoas em processo.
Todo o resto é distração.